quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pergunta

Uma certa pessoa, bem pequena aliás, pediu para entrar no blog e colocar resenhas e críticas de arte.

Será?
Isso aqui ta crescendo e ficando chic demais...
Não to gostando muito.

Prefiro um bar calmo que um apinhado de gente, os garçons atendem mais rápido e ninguém reclama do cheiro de cigarro...

Outra coisa:
Não queriam mudar o nome? Sugestões porra!
Bando de inúteis.

domingo, 25 de outubro de 2009

Que seja doce

Por algum motivo, seja tarde da noite ou esteja eu alcoolizado, e, verdade seja dita, muitas vezes um está acompanhado do outro – hoje é uma pequena exceção – eu me sinto um tanto lírico. Sei lá, alguma coisa me influencia, mas começo a falar bobagens com linguajar rebuscado. Estranho, muito estranho.

Hoje por exemplo, entrando no Orkut de madrugada, vendo perfis alheios à toa, à toa -grande Güido – vi o seguinte: “37 dias!”. A autora da mensagem pouco tem com o que lhe coloquei nos seus recados:

Não faça essa contagem, por favor!
Deixa-me depressivo...”

Provavelmente ela não vai entender e não a culpo, foi só um desabafo pessoal, dirigido a qualquer um que o leia, tanto que o coloco aqui. Talvez alguém lendo saiba, talvez somente uma pessoa saiba. O fato é: não quero pensar nisso, não quero saber quanto tempo falta, quantos dias, horas ou minutos, dezembro chega galopante e com ele a volta dos meus textos depressivos – sim Cacau, eu disse, eles vão voltar.

Por isso também estou apenas pedindo, suplicando na verdade, que seja doce.

Que seja doce.

Que não seja apenas uma estrela cadente.

Que seja doce.

Que não seja levado pela distância.

Que seja doce.

Que volte e continue como é.

Que seja doce.

Não vou colocar uma fita em árvore alguma, acredito no que é, no que foi e tenho fé no que será.

Que seja mais doce do que já é.

sábado, 24 de outubro de 2009

Então, que seja doce

Mesmo viajando, ainda tenho a sensação de ser a pessoa que mais sente saudade no mundo. Sou tipo a Maria, deixo as migalhas por aí, esqueço delas. Na verdade, não esqueço, eu sinto saudade. E isso se repete desde os animais, tipo a pantufa, a gata do papai, e os peixinhos do oceanário de Lisboa, até o próprio papai. Sinto falta do barulho da igreja de São Pelegrino em Caxias do Sul. Até disso.

Mais que tudo, tem aquela arvorezinha que você faz um pedido em Porto, cinco quadras da Rua da Saudade. Já fiquei um dia inteiro tomando velhotes por ali. Logo perto, pode-se comprar um fitinha no quiosco – “quiosco” é uma palavra em cordobês, mas não sei como é em português – e anota o seu maior desejo. Anotei “que seja doce, que seja doce, que seja doce...” sete vezes, como no texto “Os dragões não conhecem o paraíso”, e, até hoje, porra! até o filha da puta do dia de hoje, não sei o motivo de tanto pensamento positivo. Tem sido bem amargo. Acho que a fitinha escapou, sei lá.


Hollywood

Comprei o livro pela capa emblemática, nome sugestivo e autor conhecido. Não vou nem falar da precinha...

“(...) Tinha cinqüenta e oito anos e ainda tentava ser escritor profissional e vencer na vida apenas com a máquina de escrever. Iniciara esse curioso meio de vida aos cinqüenta anos. Mas não se pode viver sempre escrevendo, e havia muito espaço a preencher. Eu o preenchia com uísque, cerveja e mulheres. Acabei me enchendo da maioria das mulheres e me concentrei no uísque e na cerveja.

Na noite em que isso aconteceu, minha namorada Sarah estava lá em casa. Sarah tinha alguns pontos positivos. Por exemplo, me fazia mudar aos poucos do uísque para o vinho, o que provavelmente significava mais três anos de vida. E eu precisava desses anos extras, porque não escrevia o bastante.”

O livro é Hollywood de Charles Bukowski, um romance quase autobiográfico escrito a partir da experiência do escritor em fazer o argumento do filme Barfly. Ainda não o terminei, na verdade comecei ontem à noite a lê-lo. Se você gosta de uma boa história, alter-egos de personalidades reais (entre eles Coppola, Sartre, Godard e o próprio autor), além de diálogos crus, sem firulas estéticas, esse livro é para você.

Está dada a dica.

Link

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Boa Sorte

É tão bom ver uma aracuã de novo. Ainda mais aqui, em plena área urbana, no pequeno verde perdido no concreto. Dá-me uma esperança, uma faísca de fé que nem tudo está perdido. Avistar uma ave dessas, hoje, deveria ser um bom presságio, assim como ver uma esperança verde, mas - não como essa - um sinal de dinheiro a vista; um sinal, porém, de que algo bom, puro e simples, vai acontecer.

A ave balançava com a brisa no galho de embaúba. Seu canto tosco parecia tentar me chamar, “Estou aqui, trago-te boa sorte”, depois voou. Na hora me levantei e fui dar uma volta. No caminho uma borboleta amarela me cruzou o caminho. Segui-a com os olhos enquanto, no seu frenesi alado, visitava as flores rosadas na copa de uma árvore. Fazia tempo que não me encontrava assim como essas amarelas. Segui meu caminho e encontrei uma pitangueira. Mas não era uma pitangueira normal; copa baixa e larga para alcanças as frutas com as mãos, pitangas grandes e maduras para um deleite, semente pequena e polpa doce para fazer licor, e longe das outras para ser só minha. Acho que é culpa da aracuã, ela deve ter chamado a borboleta para me mostrar o caminho da árvore.

Até agora escrevi - a lápis diga-se - todo esse relato medíocre e sem direção. Você lendo, deve ter se perguntado o porquê. Pois bem, deixo agora de enrolar, vou direto ao ponto.

Não acho que foi sorte encontrar a pitangueira, ela foi apenas um instrumento. Seu gosto e visão não foram importantes, mas seu cheiro... Cada vez que o sentia, lembrava de você, seus cabelos, seu perfume. Eu lembrava que ia vê-la mais tarde e como isso me faz bem. Não foi sorte que a aracuã trouxe como eu pensava antes, mas ainda foi algo puro e simples, como eu esperava: a vontade de ver meu amor.

Nota curta

"Kaxopa, deu de poesias e volta a escrever seus textos depressivos nesse negócio."

Textos depressivos virão, é só esperar.
Agora estou numa fase mais light, preparem-se para a hora do espanto...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Votação

Ok, a votação acabou e ficou decidido pela mudança de nome...

Sugestões de nome nos comentários, por favor.
Ninguém lê isso aqui mesmo...

sábado, 17 de outubro de 2009

Sebastião

Nas minhas longas quartas-feiras no Parque do Córrego vejo muita coisa, das mais banais às pitorescas. Velhinhos curtindo a melhor idade com passeios vespertinos, jovens moças com suas roupas apertadas dando voltas e voltas, um senhor de barba e cabelo vikings tomando chimarrão enquanto canta uma velha canção, além de, é claro, crianças, muitas crianças. Mas nenhum desses personagens cotidianos realmente faz diferença para mim, suas passagens são - desculpem – passageiras. Um único personagem certa manhã apareceu como quem não queria nada, o atendi como quem não queria nada e por fim passamos a manhã conversando. Seu nome descobri apenas depois, quando estávamos voltando, eu para a Universidade, ele a caminho da escola de sua filha, era Tião.

Meu Deus, que inveja de você, trabalhando nesse escritório lindo”, disse ele gesticulando para o lago. A estatura baixa, a cor marrom com rugas de sol, o cabelo raspado, as roupas simples e a voz mansa, faziam impossível não conversar com ele. “Adoro meu trabalho, sou pedreiro, na verdade trabalho com elétrica, mas o seu mata a pau”, continuou. Papo vai, papo vem, crianças passam, velhinhos também, e a conversa continuava. “Sou do interior, vim para cá fazer História na Federal, mas larguei no segundo semestre para ir até o Uruguai e Argentina de bicicleta”. Que criatura diferente, nunca esperava isso dele quando nos encontramos. “Não quero ficar rico, tendo dinheiro para comer, morar perto da praia e tomar minha Kaiser no final de semana, não passando fome, tá ótimo, tenho pena de quem vive pelo dinheiro”, nessa hora eu já estava adorando o cara. Conversamos mais sobre natureza, história, arte, Florianópolis, RU, mulheres e futebol, talvez não nessa ordem - nem de modo tão linear. Mas quando olhei meu relógio e já eram onze horas tivemos de partir. Um aperto de mão no trevo do Córrego, a, um tanto tardia, apresentação e um “Até logo”. Pronto, Tião se foi, ia começar a trabalhar em Canasvieiras, não teria mais folga, nem manhãs à toa para passar no Parque.

De personagens assim, criaturas de aparições únicas e rápidas, como estrelas cadentes, que salvamos nosso cotidiano da monotonia. Um cara no Básico com quem discuti a vida e obra do João de Barro, ou, como ele o chamava, Barreirinho; um bêbado na saída do Beira-Mar que discursava sobre Frank Zappa; um chapado que tentava filar meu cigarro; um cabeludo que queria saber sobre tarraxas; todos doses únicas de companhia bizarra, mas muito divertidas. Ficam guardados lá na memória, junto com o Tião, em seções especiais, dedicadas ao inesperado e estranho.

Tomara que ele consiga seu dinheiro para a cerveja, mas que não seja Kaiser.

Geniais.

Último dia para votar. Mãe, sei que falta você. Leiam o texto de anucadadisse. Foi o diabo mesmo que me deu um toque.

Aqui jaz a menor nota de rodapé do blog, representando a minha preguiça diária abastecida pelos últimas dias. Só de olhar pra rua e ver tudo cinza de novo dá uma vontade de nada. Deus, eu preciso de melanina.


Quase ia esquecendo: kaxopa, deu de poesias e volta a escrever seus textos depressivos nesse negócio.

Fuck Carpe Diem

Depois de um ano de trabalho, existe aquele flutuar parecido com a hora de embarcar para bem longe. Aqueles dias de sublime alegria, onde até pegar chuva na ida pra casa é gostoso. Tudo isso pode terminar em um passe de mágica, como um soco no estômago que dura cinco minutos, e toda ilusão de estar voando até o hemisfério norte despenca como o avião da TAM e sem poder prever.

Faz algum tempo, fui a uma exposição que tinha dez entradas. A reação dos visitantes nunca era igual. Eu quis tentar os dez caminhos para descobrir se algum deles era especial, mas um casal angolano preferiu começar pelo lado com menos fila. Eles queriam aproveitar o café do andar subterrâneo. Como o meu foco era conhecer todo as obras, e como o costume, poder contar para o Nuno qual delas era A“the” mais bizarra usando os critérios portugueses, fiz o arranjo ou combinação das entradas (tô pedindo demais do meu cérebro), e demorei quatro horas para ver repetidamente as 25 obras de um pintor Espanhol. A obra que deu nome à exposição ficava no centro. Todos os caminhos começavam por ela.

Não adianta reclamar do que eu não vi. Sempre me achando a madura, nunca imagino que o final que eu espero pode não ser o que previ, e caio em velhos truques de estado. É tipo aquelas conversas no msn problemáticas, onde a pessoa fala alguma coisa, você lê com a entonação errada, e cria-se uma inimizade instantânea, como a conversa furada. Não adianta, a primeira obra, ou o começo de tudo pode ser o mesmo, mas a sequencia não se repete.

Então, acreditei na bola de cristal mais uma vez, mesmo avisada pelo meus professores sociólogos: “não podemos prever as relações da sociedade, onde cada célula deve decidir por si”, mas é que, só para mim, o outro não tinha melhor saída do que ficar ao meu lado. E realmente não tinha. Mas quem disse que sempre escolhemos a maçã da Eva? Eu tenho um pote de requeijão e um de nutella. A melhor opção é a nutella, mas no café da manhã, passo o requeijão. Nem sempre escolhemos o mais gostoso.

Mas, acabando a minha divagação sobre as escolhas, é fato que vamos pelo mais fácil. Para nós. Não para o outro. Pra quê tentar? Ir atrás de algo que pode não exisitir? Sacrificar-se por um caminho que pode ter 917497974 outras ruas e ter de nadar em uma piscina desconhecida? Acho que não. Então, restam clichês do Carpe Diem, viagens de fuga, baladas gay e o jornalismo. Mas, por hoje, por amanhã, e talvez depois, eu mereço um café enrolada no cobertor na melhor poltrona da minha sala.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Cacau mode ego.

Tinha desistido no amor até ser fonte de inspiração do desenho mais lindo do mundo. Da mesma maneira que não sei dizer por que me apego às coisas bizarras, não imagino como alguém pode ver só a minha parte mais linda. Tinha que elevar o ego com uma nota de rodapé.
No mais, estou ansiosa pelo próximo conto da Luisa, que foi inspirado na maior saga feminina com os homens e também no meu fim de semana. Só sei o título, e é genial, mas não quero estragar a surpresa.
Beijocacau’s

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Una mujer desnuda y en lo oscuro

por Mario Benedetti

Una mujer desnuda y en lo oscuro
tiene una claridad que nos alumbra
de modo que si ocurre un desconsuelo
un apagon o una noche sin luna
es conveniente y hasta imprescindible
tener a mano una mujer desnuda.

Una mujer desnuda y en lo oscuro
genera un resplendor que da confianza
entonces dominguea el almanaque
vibran en su rincon las telaranas
y los ojos felices y felinos
miran y de mirar nunca se cansan.

Una mujer desnuda y en lo oscuro
es una vocacion para las manos
para los labios es casi un destino
y para el corazon un despilfarro
una mujer desnuda es un enigma
y siempre es una fiesta descifrarlo.

Una mujer desnuda y en lo oscuro
genera una luz propia y nos enciende
el cielo raso se convierte en cielo
y es una gloria no se inocente
una mujer querida o vislumbrada
desbarata por una vez la muerte.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A tal da perseguição.

Como eu prometi, aqui está o tal do Flâneur. Não ficou lá grande coisa. E eu não tô querendo ser modesta.

Sentei no ônibus tentando lembrar que é melhor não parecer uma perseguição, um trabalho para a faculdade ou uma obrigação. Morar perto da faculdade criou a rotina de ir aos lugares à pé, e bateu uma saudade da época do ônibus. O UFSC semi-direto não tinha a molinha dessa vez, e pela cara que fez a menina ao entrar, era a exatamente a sanfoninha que estava procurando. Como se fosse uma surpresa, ela esperou encontrar a sanfona dentro do ônibus, sem saber que a mola já pode ser vista do lado de fora. A garotinha de seis, sete, ou talvez oito anos – sou péssima em decifrar a idade das pessoas – estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo quase tão alto quanto o da xuxa e dois tic-tacs cor-de-rosa ao lado da cabeça, segurando os fiozinhos soltos. Ela tinha a sombrancelha rala, recompensada pelos olhos azuis e grandes, provavelmente vindos do pai, já que a mãe, que a acompanhava, tinha os olhos escuros.
Estava chovendo, e mesmo assim a garotinha estava com os tênis limpinhos, prova que a mãe a carregou no colo, assim como fazia coma mochila da Moranguinho que tinha a etiqueta com o nome Rafaela. Sentaram-se na terceira fila à esquerda após o cobrador e em silêncio. A mãe esperou a menina se sentar em frente à janela, que logo se apoiou e olhou o movimento. Ao chegar, a mãe levantou com um sorriso para a menina, que ajeitou o vestidinho estampado com com pequenas ondinhas cor-de-rosa, combinando com os grampos. Estavam no Centro do comércio, e era sexta-feira, véspera de feriado de dia das crianças.

Desceram do ônibus de mãos dadas, a mãe carregava a bolsa, um guarda-chuva, uma jaqueta preta e um casaquinho violeta. A menina agora estava com a mochila ocupando metade do seu tamanho. A mãe caminhava devagarzinho pra compensar os passos curtos da companheira, que não parecia empolgada com o lugar, estava mais preocupada em pisar nas bolinhas do caminho para os cegos. Pararam em uma quitanda do terminal integrado do centro e pediram um cartão para celular, que a mãe guardou na bolsa. Atravessaram a catraca, onde a menina foi erguida ao passar, esperaram a contagem regressiva do semáforo entre o TICEN e o camelô, atravessaram e rua e a via que separa os ônibus da gritaria do mercado.
Elas chegaram ao zigue-zague do camelô e caminharam entre as estandes. Primeiro, no box com bolsas, óculos, relógios, lenços e ursos de pelúcia viram um desses animais de pelúcia, um grande e azul, que não consegui decifrar se era um animal, um et ou uma pessoa. A cara de animação da mãe, que já devia ter pesquisado o preço, era menor do que a da filha, que curiosamente não gritou pelo presente. Pararam em um segundo box idêntico e em mais três, viram bolas de futebol, quebra-cabeças e mais ursos. A reação era sempre a mesma: ou a mãe se empolgava e tentava convencer a filha, ou a filha se empolgada e nem sequer tentava convencer. Entraram no novo camelô, aquele dentro do mercado público, e passaram por toda a parte de calçados, até chegar a uma loja de brinquedos. A mãe não andava mais tão pausadamente e a menina tinha que dar três passos para alcançá-la. Ali estava. Uma Lilo bem grande, a personagem havaiana do desenho da Disney. A menina gostou, o bolso da mamãe também, pelos sorrisos estampados.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Flâneur

Minha professora de Estética e Cultura de Massa pediu uma tarefa bem conceitual. Um flâneur. Com o meu máximo de experiência estética baseado na agenda do Salvador Dalí, fui desafiada a escrever uma crônica no estilo do O homem na multidão de Allan Poe em menos de uma semana. Para os desavisados, o texto é a descrição de um personagem no qual o autor seguiu. E a tarefa é essa: seguir alguém.

A professora, quase sóbria, disse que devemos caminhar com a cabeça em extrema concentração, sem pensar nos trabalhos acadêmicos, na conta do banco ou em sexo. Devemos observar cada detalhe, gesto, palavra sem que a pessoa nos veja, anotando os ambientes e imaginando a vida alheia. Em seqüência, deveríamos escrever uma crônica.

Descobri o paradoxo! Como fazer isso sem pensar que tenho que fazê-lo. Se a professora quer o sublime do ócio, não deveria pedir a perseguição como um trabalho acadêmico. Andei atrás de três caras, matei aula de redação, mas não consegui fazer sem pensar no trabalhinho como sendo com data marcada. Anotei ruas, cores, nomes, encarei várias vezes as vítimas. Não escrevi a crônica, mas hoje tenho minha última chance. Amanhã posto aqui.

Enquete

Pronto, fiz uma enquete para saber se mudamos o nome...

Só digo que o resultado da votação não influenciará na minha decisão.
Vai estar aberta para votação até a meia noite do dia 19/10/09.

Aproveitem!

Abracetas,
a Direção.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Manifesto.

Incrível como o poder é cara-de-pau. Eu e o Léo somos dois terços e nem sequer fazemos parte do título Pantano do Troll!
Fico com vergonha de divulgar o blog, já que não sou proprietária dos meus bens de produção e escrevo textos sentimentais (quase idiotas), onde o capital simbólico é propriedade do nome que governa o blog. Ele que contrata e demite produtores sem questionamento democrático. Sim, Léo, temos que fugir da alienação da nossa classe escritora e produzir pra si, abraçando a campanha "Pantando do Troll também é nosso" com um nome que representa os três. A Revolução começa quando descobrir como mecher nessa merda e montar uma enquete pro universo que a lê : minha mãe, dois bocós, eu, kaxopa e léo. Falta mais alguém pra fazer melhor de sete e decidir o novo nome.

Prefiro não argumentar com relação à frequencia com que posto, porque aí fudeu.

Ei, você mesmo!

A parte feminina do blog, quase sempre, claro, está em greve. Não daqui, mas da vida. Quem me conhece sabe que faço coisas e reclamo na mesma intensidade que as executo. Mas ninguém me conhece como o homeageado(a). E não vou dizer o nome, quero dar a chance de ele(a) se descobrir no texto.

Bom, pela segunda vez um texto direcionado e, para os curiosos de plantão, o primeiro foi o “Sem título para ele” em abril. Depois do Pedro, meu grande amigo do colégio, poucas foram as pessoas que guardei. Como diria o poeta Pedro Bial “entenda que amigos vem e vão, mas nunca abra mão de uns poucos e bons”e, por mais brega que seja, é verdade. Porém, nada como redimir-se com a parte dos poucos e bons, preenchida quase integralmente pela Thata, que sempre o fez com muita competência e lembrada por aqui.

O problema (ou não) é que preciso de um homem-amigo. Voltando a falar de mim, e agora todos já sabem que sou particularmente egocêntrica (não egoísta, ok), tenho um lado muito homem. Sem explicar essa parte, que mesmo máscula é charmosa, eu a escondo a sete chaves, só mostrando em horas de extrema carência com todo um contexto envolvente, mais uma série de circunstâncias, mais uma série de nhenhenhês.

Não é pra ficar com medo. Duas cabeças acabaram me fuçando por completo e, pode acreditar, continuam me amando, acho. Uma delas é a que eu não posso pronunciar, senão o charme do texto (que quase não existe) vai sumir. Essa minha parte cruel foi aberta, pra não usar a palavra “esgaçada”, com pequenos papos, que logo viraram médios e, em sequência, longos, na sacada, ou com vinho, ou com cerveja, ou com cigarro, ou com os três.

Nem sempre na sacada, esses momentos aconteciam em qualquer chão entre os bairros trindade, pantanal, serrinha, carvoeira e córrego. Se quiser saber onde era o nosso esconderijo, vá até a maior concentração de filtros de cigarro no chão e, pronto!, descobriu nosso lugarzinho. A distância me fez parar de fumar, além do meu pulmão gritando “meu deus, me ajuda” e da falta de dinheiro, claro, que é quase sempre o que faz o ser humano mudar. E eu não estou generalizando.

Sinto é muita falta de me irritar com alguém invadindo a minha mania de independência. Aquele ronco noturno que me acordava, mesmo eu colocando o colchão no quarto ao lado, sim, até daquele barulho péssimo eu sinto falta. O fato é que amizades vem e vão, mas o meu tempo é curto. E, como sou egocêntrica, e óbvio, eu contei isso por algum motivo, eu prefiro guardar os meus segundinhos livres ou para sexo, ou para necessidades fisiológicas, ou para escrever nisso aqui. Nunca os três ao mesmo tempo, claro.

Tenho que dizer que todos os filmes, todas as músicas, todos os cigarros foram fodas com ele(a). As voltas de carro, os tchauzinhos no vidro, os carinhos inesperados, os choros de bêbada, os tapas, as grosserias, os churrascos, os vinhos, os roncos, as risadas, os R.U.s, os bafões que não eram seus, os bafões que não eram meus, as dicas de redação, as conversas de 5 min, as conversas de 3 horas, os bares, a cantina, as briguinhas de ex, as briguinhas de atuais, os segredos, os abraços, os cafés de manhã. A nossa amizade. Tudo isso e, especialmente o último tópico que agrupa o todo, é indiscutivelmente adorável. E, especialmente esse último tópico, guardo no coração. Como ele(a) sabe, meu coração muitas vezes é de pedra, mas hoje e sempre, por ele(a), é um coração que ama o seu amigo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

The Bucket List

Dois homens com câncer terminal decidem viajar pelo mundo juntos, realizando os últimos desejos de suas vidas. Dirigido por Rob Reiner (Questão de Honra) e com Jack Nicholson, Morgan Freeman e Sean Hayes no elenco.

As luzes da cidade passam rápido pela minha janela enquanto dirijo em velocidade moderada meu carro novo: um Toyota Fielder automático, adquirido no mês passado. Estou chegando de mais um dia de trabalho produtivo como diretor-geral de uma grande companhia especializada em TI com sede no Vale do Silíco, na Califórnia. No meu iPhone, havia algumas mensagens de textos ainda não lidas de uma linda mulher que beijei no feriado passado, em uma festa particular pela Baía Norte no iate de alguns clientes da empresa.

Na esquina do prédio onde moro, na Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos, passo por algumas garotas de não mais que vinte anos de idade, elas me parecem como modelos indo desfilar na boate que fica ao lado do meu prédio, com a mesma melancolia no olhar disfarçado pelas maquiagens caras e o branqueamento nos dentes. As garotas reparam em mim, ou no meu carro, ou em ambos; não me importo.

Na entrada da garagem, meu iPhone acende e interrompe a música da banda Diablo Swing Orchestra que tocava em alto volume no sistema de som potente. Eu atendo com o Bluetooth da Fielder: era um rapaz que estava também no passeio de iate, me convidando para um camarote na boate ao lado, de onde saem garotos bêbados às três da manhã que empesteiam o jardim externo do meu prédio urinando sem o menor pudor – Não, obrigado. Já disse em alguma reunião de condomínio que deveríamos tirar fotos noturnas dos nossos mais frequentes “mijadores” e expô-las numa exposição pública em frente à boate; cacife pra isso nós temos.

Passo ao elevador, o porteiro me cumprimenta ao longe, respondo com um leve movimento de cabeça. Pressiono o botão de número 12, sou o único morador do condomínio que vai até este andar. O elevador se abre e o corredor já faz parte do meu apartamento, com peças da última exposição Casanova – elas estão a cada ano mais medíocres – penso ao destrancar a porta dupla do apartamento. Lá de cima, pelo uso excessivo de vidros constantemente limpos em razão da maresia do mar a frente, consigo observar praticamente todo o bairro. No meu nível eu conto apenas mais um ou dois apartamentos de prédios à direita.

Sincronizo meu iPhone ao sistema de som do apartamento, rapidamente todo o aambiente se enche com “Memoirs of a Roadkill”, da mesma banda que escutava ao ser interrompido pelo interesseiro. Acabo de abrir a garrafa do whisky 20 anos que eu ganhei ao ser promovido na empresa. Nunca gostei desses destilados, mas esta noite é especial.

Desde criança tracei planos para meu futuro, quando li a história de Paulo Coelho, que já aos 7 anos o prodígio projetava meios de “como ser o melhor escritor do mundo”, identifiquei-me prontamente. Na minha lista o último item sempre foi: Morte. O checklist já estava completo, só sobrara a derradeira. Portanto, nada mais natural que, em toda uma vida baseada em planejamento e execução, eu atinga mais essa meta. Isso mesmo, meta: morrer.

Ah, o vento no rosto, esse cheiro de maresia de que sempre gostei, o céu é realmente maravilhoso aqui de cima. O copo do destilado já está no fim, lá embaixo eu vejo pessoas basicamente uniformizadas entrando na fábrica das fantasias – será que eles não cansam de realizar a mesma tarefa mecânica de todos os dias?

Caio.

Ao menos essa noite não haverá aqueles mijões no jardim do prédio.