quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Palácio

“Seu marido está aprontando.” A voz do outro lado da linha era estranhamente familiar, a notícia dada era direta, nem tempo para um alô.

“O que?” Ela nem teve tempo para pensar no que ouvira.

“Está no Palácio.” Mal acabara de falar e desligou o telefone.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Puro Humo

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Férias é o melhor tempo para ler livros e sentir o tempo passar devagar quase escorrendo pelos ponteiros.

Comecei a ler o livro Fumaça Pura, uma ode ao tabaco e sua sensual relação com o cinema e à literatura. Escrito por um cubano, naturalmente dá ênfase ao charuto, mas acha espaços para o cigarro e o rapé.

Naturalmente, estou morrendo por um charuto agora. 

Os cigarros são o oposto pervertido dos charutos; os charutos são longos, os cigarros curtos; os charutos são escuros, os cigarros brancos; os charutos são grossos, os cigarros delgados; os charutos tem cheiro forte, os cigarros perfumados; os cigarros são para os lábios, os charutos para a boca e para os dentes; os cigarros não se apagam, mas se extinguem rapidamente, enquanto os charutos parecem viver para sempre; os charutos são sujeitos rudes, os cigarros femininos são como as joias; os cigarros a gente fuma sem parar, os charutos devem ser fumados em intervalos certos, com todo o ócio do mundo. Os cigarros pertencem ao instante, os charutos são para a eternidade.

- Guillermo Cabrera Infante (Fumaça Pura)