domingo, 30 de janeiro de 2011

Palácio–partes III, IV, V e VI(final)

Continuação do conto Palácio. Está perdido? Parte I e parte II

Vera Lucia nunca entrara em um puteiro antes. Era acostumada com os que apareciam em enlatados norte-americanos. Deparou-se com um bar quase normal. Quase, se não existisse um palco com uma mulher seminua dançando e algumas garçonetes de lingerie e peitos à mostra. Provavelmente a putaria de verdade que esperava não começara devido à hora. Ainda era cedo, o Palácio parecia mais um lugar cult, onde poucos universitários tomariam alguma bebida discutindo alguma banalidade acadêmica. Um armário negro, usando um paletó gasto e fora de moda se colocou à sua frente.

Palácio saindo do forno…

Estou corrigindo as últimas partes do texto para postar ainda hoje. Queria agradecer ao pessoal que comentou o texto aqui ou no twitter (@leocavia, @CarolMSalles e Capitu). Saber que alguém leu as primeiras partes me fez levar a coisa um pouco mais a sério.

Também agradecer a Mari que me incentivou a continuar.

Ah, e um muito obrigado especial para Vera Lucia e Caio. Sem vocês esse conto não existiria.

Fui!

domingo, 9 de janeiro de 2011

Palácio – II

Continuação do conto baseado em causos reais Palácio. Não leu? Clique aqui.

***

Uma semana depois do telefonema, Caio avisou que sairia novamente com os amigos.

“Onde vocês vão?” O rosto quase realmente ingênuo de dona de casa brilhava na sala em frente à televisão.

“Na casa do Rodrigo. Beber, fumar uns charutos, falar bobagem...” Enquanto falava, Caio tirava as chaves do carro de cima da mesa e caminhava para a sala. Se despediram com um beijo rápido. Vera acompanhou com o rabo dos olhos o fechar da porta, levantou-se, caminhou até o armário de bebidas e arrancou uma garrafa de gin. Essa noite precisará de gin.

Suficientemente amortecida, ela checou o quarto da filha. Dormia como um mimado querubim bizantino. Recolheu as chaves de seu carro e desceu. Suava frio, sentia sua barriga dando voltas. Entrou no carro e engatou a primeira em seu plano.

A noite estava fresca e tranquila, com uma lua cheia digna de um jazz outonal em Paris. O carro de Vera passeava tranquilamente pelas ruas estreitas da cidade, planando pelo asfalto. A primeira parte do plano era checar a casa de Rodrigo. Mesmo que ele fosse ao tal Palácio - como ele iria, Vera tinha certeza - Caio realmente passaria antes na casa do amigo. Com uma lenta passada com seu carro identificou o automóvel de Caio estacionado. Um importado com a sugestiva, e irônica, placa MEU.... era facílimo de reconhecer. Vera ainda tinha tempo.

Vera encostou seu carro algumas quadras depois. Vale mesmo a pena fazer isso? E se não der certo? E... se der certo? As dúvidas se afugentaram quando lembrou que ele passaria a noite com meretrizes... Não, meretrizes não, nome pouco vulgar para quem se metia (ou era metida) com seu marido, eram putas, biscates, pistoleiras. O jazz que tocava naquela lua ia se transformando em um bop cada vez mais rápido. Lúcia olhou-se no retrovisor, viu a profundidade felina de seus olhos pintados, o olhar venenoso de uma mulher irada, engatou a marcha e dirigiu sem pestanejar até o Palácio.

A fachada do bordel não disfarçava seu real intento. Entrar ali achando que se tratava de um bar normal era impossível. A porta dupla, com películas negras que impediam visualizar o interior e um diminuto toldo bordô imitando os hotéis nova-iorquinos, os neons rosas, vermelhos, brancos e azuis que desenhavam e piscavam torres de um palácio árabe, o cartaz com uma advertência contra menores de dezoito anos. Era realmente uma zona. Vera Lúcia estacionou seu enorme carro alguns metros antes de chegar ao inferninho. Caminhou etilicamente confiante até a porta negra e entrou.

***

Paro aqui para continuar semana que vem. Folhetim que se preze acaba em situações chave. Mastigarei o final por mais um tempo.

Continua...

Cem posts… sem nada…

100

Pois bem, pois bem...

Essa é a postagem de número 100! Olha só que beleza. Cem posts, sem conteúdo, sem participação ativa, em pouco mais de dois anos de blog. Pois é, a primeira postagem foi no dia 09/10/2008.

Só para marcar esse número ‘incrível’, alcançado depois de muito tempo, livros, amores, decepções, porres e papo furado.

Prometo, como sempre, postar mais, mesmo que pouquíssima gente leia ou participe dessa aventura pseudoliterária. Faço isso mais pelo meu ego e diversão do que pelos outros. Claro que um comentário ou outro, mesmo que seja um (y) ou (n), é sempre bem vindo.

Obrigado visitantes, boa leitura, ou fuga. Acendam um cigarro, tomem um gole, ou simplesmente leiam.

PS: Quer brincar de escrever e postar alguma coisa? Entre ali em Contato e mande um e-mail. A gente se acerta.