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quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Sequel

sequel

Sabe quando um filme faz muito sucesso e os estúdios de cinema ficam loucos por uma continuação, mesmo que ela não seja tão boa quanto o primeiro filme? Tipo Piratas do Caribe ou o segundo Indiana Jones? Pois é. A continuação nunca é boa como o original. Algumas exceções, claro, como Rocky. Mas, como regra geral, a continuação é uma boa oportunidade de ficar quieto.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

Aurélio

dicionario-aurelioCaro senhor Aurélio,

Venho por meio desta, sugerir a modificação dos verbetes anexados em sua próxima edição. Os publicados em sua última coleção estão desatualizados quanto ao contexto social de uma nova geração, ligada às mídias alternativas e globalizada.

Atenciosamente,

Kaxopa

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Confiar em quem?

como-escrever-cronica

Hoje li uma coluna de jornal em que o autor considerava “Varsóvia” e outra palavra semelhante como proparoxítona. Um pequeno erro. Está bem, não foi um pequeno erro, principalmente porque a crônica era uma homenagem apaixonada às proparoxítonas. Citando até a construção de Chico Buarque em certa música, que flutua no ar como se fosse pássaro, escrita como se fosse a última e com os passos tímidos de um bêbado.

Apontando o erro, após ler o texto, a professora de português exclamou em forma de pergunta: “Vamos confiar em quem se nem nos cronistas conseguimos?”

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Patético

É um martírio desumano. Como colocar uma enorme pedra sobre o peito de um pobre diabo. É extirpar a humanidade e o calor da vida de um homem. E cobri-lo com uma camada de fúria e asco de sua própria inabilidade.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Plantão

Tive de trabalhar durante um tarde fria e chuvosa. Ficar de plantão ao telefone, quebrar um galho a beneficio de todos. Coisa pouca e simples. Pelo menos em tese. Quando cheguei ao trabalho, resoluto em minha função, descobri-me completamente sozinho, acompanhado apenas de um computador temperamental e uma biblioteca cheia de livros vazios e algumas pérolas. Andei por entre seus ínfimos corredores, como um rato procurando pelo queijo. Kafka, já lera; Veríssimo também, Sidney Sheldon, não mais; e encontrei-me com Woody Allen. Mergulhei em seus contos filosóficos e satíricos, devorando-o simplesmente. As páginas encontraram seu fim e, logo, voltei ao começo.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Glossário-zinho-inho

O contato com os internos de uma penitenciária (para não dizer “presos”) é uma coisa única. Depois que cruzamos os  portões, o mundo fica de cabeça para baixo; tudo muda, a hierarquia, os hábitos e o vocabulário. O linguajar dos apenados (não vou dizer “presos”) tem as mesmas peculiaridades que qualquer vocabulário de qualquer “tribo” moderna tem. Algumas para não dar a entender a coisa errada – ou você acha que pedir um “rabo quente” não ia pegar mal?

Como várias pessoas gostam das gírias internas, ai vão algumas:

- Marrocos: pão

- Moca: café

- Vaquinha: leite

- Areia: açúcar

- Alpiste: arroz

- Rolamento/Jofer: feijão

- Macaca/Meia lua: banana

- RQ: rabo quente

- Semente: ovo (de semente de galinha, adoro essa)

- Granada: almôndega

- Zoiuda/Tela: televisão

- Papagaio: rádio

Sinto como se eu estivesse quebrando um código falando isso, então só vou ficar com esses. Quem sabe algum dia não afogamos o boi, arranjamos uma mulher de polícia assada, ou um caçador de Andrade do Design não é pego com o radinho andando por ai...

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Nota de fim de ano?

Faz tem que não escrevo nada novo. Estou sem vontade, sem o mínimo saco. Mas se eu parar, tenho que torcer para a Carol manter o ritmo, senão isso fica jogado às traças. Não que eu esteja desistindo de escrever, longe disso, simplesmente me faltam as palavras para tudo. As bolhas nas pontas dos dedos me tiram a vontade de digitar e os vícios me deixam longe de casa. Um coquetel antipostagem, praticamente.
Bem, estamos no final do ano. Véspera de natal, uma semana para o ano novo. Tempo de retrospectivas, promessas, cheque especial, suicídios, presentes, 13º, ficar torrado como um camarão, viajar, desejar felicidades (ironicamente ou não), a lista é longa... E, no lugar de fazer alguma coisa assim, você fica lendo isso? Faça-me o favor, levanta e aproveita os últimos dias de 2009. Ler blogs não leva a nada.
Feliz Natal e etc...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

É básico, bicho

Não há lugar como o Básico. Não que eu gostaria de estudar lá, estou bem feliz com meu acanhado CCB, mas o Básico tem sua magia. Sua localização favorece um pouco, é um lugar onde você senta e logo aparece uma alma conhecida – que se diz atrasada para a aula de 8:20, apesar das 10 horas no relógio.

O fundamental, porém, é a quantidade de cursos peculiares: design, jornalismo, letras, cinema e cênicas. Basicamente (ah, sacou o trocadilho?), o coração pulsante da Universidade é uma terra de clichês e peculiaridades. Sabe o estudante de jornalismo gay que namora o estudante de design? Lá está ele. Aquele emo estranho? Aquela rodinha cult tocando violão? A garota do Letras Francês lésbica? A gótica lendo Nietzsche? A gaúcha que coleciona corações? A futura garota da previsão do tempo? Todos estão lá. E todos convivem felizes, claro com as pequenas cismas entre os cursos. Espanhol contra Inglês, ninguém dá bola pro Alemão e todos contra o Jornalismo – ei, é um fato, não fui eu que criei as regras, não tenho culpa se os jornalistas se escondem no aquário.

Eu gosto do Básico. O café é bom. Pessoas estranhas. Sempre alguém com um isqueiro. Lugar bacana. Só faltava vender cerveja.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Quinze minutos sem adnet

Isso de quinze minutos ainda me dá medo. Teorizei sobre as coisas que falei, as pessoas que me apaixonei e os furos que eu quase dei. Tudo acontece em quinze minutos ou menos.

A mesa rosa, com aquele arranjo de flores de festa de quinze anos – depois meu irmão levou pra casa, pagando que comprou pra minha mãe na floricultura -, as meninas de vestido e os garotos de camisa e sapato. Tudo fez parte de mais um quarto de hora que mudou a vida de mais um, a minha, sinceramente, não notou em nada. O gordinho espinhento nem sequer fazia parte da decoração, não abria a boca e fazia o perfil detonado e loser pro resto da vida sem ligar. Achei engraçado e, como até hoje, tento fazer a maluca que entra na sua vida de repente. Dessa vez funcionou.

- oi, como vc tá aí sozinho?, vem beber coca com vodka!


- eu não bebo.

- Como não?

- Prefiro ficar sozinho

- Ninguém prefere ficar sozinho, as pessoas acabam tendo que ficar sozinhas


(***)

Também na festa de quinze, que dessa vez era a minha, apareceu mais um furão. O pai falava que não queria pessoas fora da lista, mas eu liberei bem uns 20 a mais, achava de esquerdinha. O cara era bonito, apresentável e perguntou meu nome e qual era a onda do meu anel tão lindo; “é de paris, meu pai me deu”.

-Pode sair comigo sem o anel?, juro que vou lembrar o seu nome.

- Onde iríamos?

- Assistir um filme no cinema

Esse cara me consumiu por mais de ano, até hoje aparece dia sim, dia não. Esse fez diferença na minha vida, e o diálogo que me apaixonou durou mais que cinco e menos que quinze minutos. Cuidado com essas frases de “efeito”, elas pegam a gente sem dizer oi.

sábado, 17 de outubro de 2009

Sebastião

Nas minhas longas quartas-feiras no Parque do Córrego vejo muita coisa, das mais banais às pitorescas. Velhinhos curtindo a melhor idade com passeios vespertinos, jovens moças com suas roupas apertadas dando voltas e voltas, um senhor de barba e cabelo vikings tomando chimarrão enquanto canta uma velha canção, além de, é claro, crianças, muitas crianças. Mas nenhum desses personagens cotidianos realmente faz diferença para mim, suas passagens são - desculpem – passageiras. Um único personagem certa manhã apareceu como quem não queria nada, o atendi como quem não queria nada e por fim passamos a manhã conversando. Seu nome descobri apenas depois, quando estávamos voltando, eu para a Universidade, ele a caminho da escola de sua filha, era Tião.

Meu Deus, que inveja de você, trabalhando nesse escritório lindo”, disse ele gesticulando para o lago. A estatura baixa, a cor marrom com rugas de sol, o cabelo raspado, as roupas simples e a voz mansa, faziam impossível não conversar com ele. “Adoro meu trabalho, sou pedreiro, na verdade trabalho com elétrica, mas o seu mata a pau”, continuou. Papo vai, papo vem, crianças passam, velhinhos também, e a conversa continuava. “Sou do interior, vim para cá fazer História na Federal, mas larguei no segundo semestre para ir até o Uruguai e Argentina de bicicleta”. Que criatura diferente, nunca esperava isso dele quando nos encontramos. “Não quero ficar rico, tendo dinheiro para comer, morar perto da praia e tomar minha Kaiser no final de semana, não passando fome, tá ótimo, tenho pena de quem vive pelo dinheiro”, nessa hora eu já estava adorando o cara. Conversamos mais sobre natureza, história, arte, Florianópolis, RU, mulheres e futebol, talvez não nessa ordem - nem de modo tão linear. Mas quando olhei meu relógio e já eram onze horas tivemos de partir. Um aperto de mão no trevo do Córrego, a, um tanto tardia, apresentação e um “Até logo”. Pronto, Tião se foi, ia começar a trabalhar em Canasvieiras, não teria mais folga, nem manhãs à toa para passar no Parque.

De personagens assim, criaturas de aparições únicas e rápidas, como estrelas cadentes, que salvamos nosso cotidiano da monotonia. Um cara no Básico com quem discuti a vida e obra do João de Barro, ou, como ele o chamava, Barreirinho; um bêbado na saída do Beira-Mar que discursava sobre Frank Zappa; um chapado que tentava filar meu cigarro; um cabeludo que queria saber sobre tarraxas; todos doses únicas de companhia bizarra, mas muito divertidas. Ficam guardados lá na memória, junto com o Tião, em seções especiais, dedicadas ao inesperado e estranho.

Tomara que ele consiga seu dinheiro para a cerveja, mas que não seja Kaiser.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

How Blue?

Entregue à poeira, eis a situação. Não só do blog, mas de várias outras coisas, especialmente repartições públicas e certos departamentos da UFSC. Mas isso não vem ao caso.

Sabe quando está sem chover na cidade há dias e o calor é infernal? Você vê aquelas nuvens pesadas de chuva no além-mar, perdidas no horizonte, mas elas nunca chegam para te salvar dos dias cálidos? Pois bem, a inspiração para escrever – que nunca foi muita, deve-se dizer – está assim também, perdida à deriva depois da rebentação, longe demais para ser tocada e resgatada.

Alguém certa vez disse que para ser um bom músico, mas acho que essa idéia engloba outros artistas, a primeira coisa necessária é estar triste, miserável, feelin’ blue, no fundo do poço e da garrafa. Sentado, desolado e alcoolizado, depois das três da manhã ao balcão de um bar vazio, sabe? Pelo menos essa é a minha idealização de feelin’ blue; alguns dirão que é sentar em um banco vazio de um parque, escutar country ou chorar na cama. Cada um sabe o jeito de amplificar ao máximo sua depressão, porém, segundo Charlie Brown, você nunca deve ficar ereto e olhar para cima.

Acho que preciso arranjar sarna para me coçar. Qualquer uma serve, mas não me venha com Sarcoptes scabiei.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Quarta-feira

Hoje foi um dia banal. Sem ônibus e com filas gigantescas, fiquei trancafiado em casa. Cortando cebolas e tomates para o tatu - o corte bovino, não o animal - ensopado de minha mãe, fiquei com vontade de escrever. Enquanto a faca descia e subia talhando finas meias-luas de cebola e o cheiro sulfuroso irritava meus olhos, tentei pensar em alguma coisa para postar neste tão parado blog. Ai que me lembrei de um trecho de Machado de Assis, “Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor!”, Luis Fernando Veríssimo dizia algo semelhante, mas estou sem o livro aqui pra copiar a citação. Desculpem se não memorizo frases para jogar nos textos, não faço jornalismo.

Pois bem. Não está quente hoje. Também não está frio. Como diabos começar um texto com um tempo estranho desses? “Uh, parece que vai chover.” Isso não é conversa de elevador. Vamos tentar de outro jeito.

A pior coisa de uma greve de ônibus é que você fica com o dia livre. Geralmente isso é bom, dá para vadiar bastante, curtir o ócio, ir à casa de algum amigo e fazer qualquer coisa. O problema é que sem ônibus, não adianta matar aula. Você fica obrigado a permanecer em casa, olhando o Orkut, Messenger, Gmail ou televisão, na melhor hipótese você lê um livro ou estuda. A última não é uma “melhor hipótese”, mas está valendo.

Pois bem. Não fiz nada de útil hoje e minhas idéias para um texto decente não chegaram. Deu-me vontade de ligar para Rosa Cabarcas, simplesmente para dizer “É hoje!”. Mas não adianta, não tem ônibus para chegar lá.

sábado, 4 de abril de 2009

Quando você não deve atender a porta.

Toca a campainha. Senti o último rastro de esperança em salvar nosso relacionamento. Sempre quis conversar, contar sobre a minha semana, minhas discussões na agência, cozinhar alguma coisa gostosa para nós. O problema é que nossa relação nunca chegou a tal fio de profundidade. Conto para meus amigos que, quando nos encontramos, só exige-se sexo, sexo e sexo.

- Estranho, estranho... Geralmente não acontece isso. Como alguém pode querer só sexo. Como pode?

Convido para arrumarmos nosso ninho de amor, nossa vida. Nada do que eu quero e digo parece satisfazer o meu oposto. Olho para o que abre minhas manhãs e imploro por um pensamento sobre o futuro, mas só vejo que não podemos continuar tão superficiais.

- Você não sabe o quanto eu gosto de você.

- O quanto, amor?

- O suficiente para sentir muita atração por ti.

-Então, por que você me traí?

- Porque acabei um relacionamento, entenda-me, eu gosto de você, só é muita carga para mim agora.

- Espera, deixa eu traduzir, você não quer ficar só comigo.

- Não, amor, só não quero casar contigo agora, somos tão novos.

Fazemos um sexo quase magnético. As roupas que estavam no chão já estão no corpo que eu tanto quero, andando por aí, cruzando outros olhares. Isso chama-se sedução. Pura e só. O problema é diferenciar, saber até onde quero ir, até onde devo pesquisar.

- Chega! Não sou um pedaço seu.

- Não é mesmo, você é um corpo meu.

- Como você me trata assim, eu lavo suas roupas do escritório!

- Obrigada, mas nunca pedi isso.

- Eu faço porque te amo, você não vê? E continua me traindo, saindo por aí com qualquer pessoa.

- Traindo? Nunca. Você está criando minhocas.

- Criando minhocas? Eu tenho provas, senti o perfume na sua camisa.

- Tá bem, amor, você me pegou, mas você me fez fazer isso.

Cheguei ao ponto X. O momento em que ninguém nota, mas é onde prefere-se ser um solteiro beberrão temporário à ser um eterno borra-botas iludido. As duas saídas estão claras para quem assiste à uma discussão clássica como esta, para quem vê além da cena.

- Cansei, sempre converso com os caras do futebol, você não é normal.

- Amor, eu sou a mulher do novo século, você não entende, você que é machista.

- Eu quero casar contigo, fazer filhos contigo.

- Desculpa, Sérgio, isso é muito pra mim.


quarta-feira, 1 de abril de 2009

À deriva

Depois desse último post “profundo”, como disse uma amiga, acho melhor escrever alguma coisa mais leve.  O grande problema é: que porcaria poderia entreter um bando de desocupados como os leitores desse humilde blog? Crônicas de putaria? Não, muito vulgar... Até porque inspiração para isso me falta ultimamente, se é que vocês me entendem. Histórias alcoólatras são sempre bem vindas, causos boêmios sempre existem. Porém, revelar intimidades desnudas, cheias de líquidos gástricos, garrafas vazias, dados e palavras enroladas, não iria ficar legal, pelo menos para os envolvidos.

                “Então, o que diabos eu estou fazendo lendo isso?”, você se pergunta. Caro leitor desafortunado, respondo-te: não sei também. Tudo que sei é que ainda tenho um pingo de esperança de que conseguirei ressuscitar esse texto e poderei apagar o que rabisquei até agora.

                Pois a pequena esperança agora se encontra perdida. Nada, além de nada, passa pela minha cabeça. Mas tenho uma idéia. Anos atrás escrevi um parágrafo, um jogo de palavras, já publicado em um falecido blog e acho que vou reaproveitá-lo agora. Minha nova parceira de blog não ajuda publicando nada mesmo. Isso que ela faz jornalismo.

                Próxima vez posto alguma coisa melhor...

 

“Verossimilhança

                A noite caia adiáfana. Os cotrucos, que antes gorjeavam nos buxos, agora descansavam e as cotréias cuidavam de seus ninhos. Na pequena choça, sentado em um velho escabelo, um homem dormia em sua inépcia. Pequenas esdrúxulas, num canto escuro e úmido da sala, se escondiam esperando a luz da pequena vela acabar, para atacar os restos da ágape deixados nos pratos. Escalafobéticamente, uma mulher saía escondida apenas de camisola pela porciúncula da frente, despavorindo as lamúrias que pastavam tranqüilas na noite.

Palavras erradas, palavras certas... Oh meu Deus! Quais estão certas? Escrever assim é tão divertido...

 

PS: É, eu estou sem nada para fazer...”