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segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Da Lata

Maconha da lata

Hoje, em meio a cervejas e conversas nostálgicas, um amigo gaúcho falou:

“Cara, tenho várias decepções na minha vida... No futebol, por exemplo, é que nunca vi o Zico jogar ao vivo, mas quando o assunto é festejar... Nunca me perdoo por não ter fumado da lata...”

Sorri e falei, com a cara de gato que acabou de comer o periquito da família:

“É, valia a pena...”

segunda-feira, 27 de junho de 2011

O poetinha – parte III (final)

*Parte III? Perdido? Leia a parte I e a parte II
...
“Desembucha, Chico. To ficando preocupado contigo.”

“Cara, não é nada...”

Estávamos apenas os dois, sentados na mureta do terreno baldio, atrás do Posto Sete. Já estava escuro, compramos um garrafão de vinho colono, do mais barato e suave. Chico jogara seu bloco de poesias fora, estava depressivo e mal saia de casa. Prometi a ele uma bebida e um baseado para levantar o espírito; era o único jeito de tirá-lo de casa. Ele tomava aquele vinagre como refrigerante, cada vez mais bêbado. Assim ficava mais fácil de descobrir o que acontecera.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O poetinha – parte II

*Parte II? Que diabos?! Leia a primeira parte aqui

Érato, de Edward Poynter

Era um quente fim de tarde quando Chico entrou no ônibus. Mesmo com todas as janelas abertas, a sensação abafada era quase insuportável. Com cair do sol, um matiz brilhante viajando do cobre ao rosa pousava no horizonte, refrescando os olhos cansados de um dia quente de verão. Naquela época, ainda se entrava no ônibus pela porta traseira, você não via o rosto da pessoa que sentaria no seu lado para escolher a melhor companhia. O ônibus estava lotado, dando apenas uma opção de banco para Chico. Por sorte, no lado de uma mulher; e ela era linda... pelo menos de costas. Cabelos loiros com mechas que iam do amarelo-claro, quase branco, ao dourado do ouro velho, balançando com o vento da janela e refletindo a morte lenta do sol.

sábado, 18 de junho de 2011

O poetinha

Chico era um cara malandro. Destacava-se da trupe da rua por um atributo desejado por muitos e dominado por poucos: tinha a melhor conversa com as meninas. O primeiro a começar com namoricos, sapecadas e afins. Ele tinha olhos verdes graúdos, boca fina, cabelo encaracolado caindo na testa e orelhas, e um nariz helênico reto. Na verdade, em algumas rodas poderia até ser considerado bonito.

terça-feira, 7 de junho de 2011

violão-mulher

Naquela época eu morava com minha avó em uma ruazinha tranquila do Estreito. Aquele inverno gelado, que fazia do céu da ilha azul celeste e a tainha correr para o Rio… Ainda estava na faculdade, brincando de professor enquanto tentava escrever alguns contos ou crônicas. Os poucos que considerava de qualidade eram publicados no jornal da faculdade ou até, três vezes apenas, no Jornal de Santa Catarina. Na verdade, escrever sempre foi um sonho antigo, mas eu realmente não levava fé. O incrível, porém, foi descobrir que algumas pessoas realmente começaram a curtir o que eu escrevia, e, em homenagem a uma delas, que apareceu lá em casa no começo dos anos 80, talvez em 82, que vou contar essa história.