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domingo, 18 de setembro de 2011

Meninos não choram

homem chorando

Eu pensei isso a minha vida toda. Meninos, homens, não choram. Meninas, mulheres, sim. Chorar é fraqueza, falta de força interior...

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Toque uma música pra gente…

Nada pior que ser forçado a tocar quando você está cansado e passou do ponto. Nessas horas tento me manter longe dos holofotes famintos dos outros bêbados; se você rejeitar o pedido, principalmente quando se está envolto por desconhecidos, todos o olham com desprezo. Não sou um trovador, muito menos estou aqui para entreter vocês, busco meu próprio êxtase, meu clímax, longe de desconhecidos, que buscam uma única dose de prazer momentâneo nas nossas companhias passageiras. Amanhã nunca mais a verei; daqui a duas horas, ele partirá; de agora em diante, nos veremos ocasionalmente nos corredores e sentiremos um dever obscuro e fútil de dizer “olá”. Pífio, sem significado, desnecessário.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Detalhes

olhar

Ah, os detalhes! Pormenores, como diriam os puristas. Vírgulas que separam orações, apostos, escondem palavras, invertem períodos. Sutis formas que nos levam despercebidos por caminhos tortuosos. Separam um carinho de um tapa, uma aprovação de reprovação, o sarcasmo da verdade, o porquê do porque.

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Mamihlapinatapei

Mamihlapinatapei

Hoje, pela internet, recebi um link com vinte palavras que não possuem tradução. Duas portuguesas – cafuné e saudade – estavam na lista - a última já esperada, a primeira nem tanto.

domingo, 3 de outubro de 2010

Poça

Quando andamos pelas nossas cidades, poucas vezes nos damos conta da beleza que se esconde à plena vista. Mas algumas situações nos colocam em perspectiva. Toda a fragilidade, rapidez, volatilidade da vida é colocada em nosso caminho. O destino surreal, ou o azar desgraçado, dependendo da sua fé, nos joga na cara a sorte que temos. Então damos valor, nem que por um dia ou algumas horas, à beleza do que nos cerca.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Echar de menos

buenos aires (396)

A Avenida de Mayo parecia um pouco diferente naquela noite. Mais colorida, clara, movimentada. O vento frio embalava a fumaça do meu último cigarro por entre os carros. Quando o táxi chegou, arremessei o cigarro com os dedos, tirei meu chapéu e sentei no banco de trás, abandonando minhas malas ao meu lado.

- Donde?

- Ezeiza.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sonho

Hoje tive um sonho bom. Aqueles sonhos que embalam o sono, parecem que nunca vão acabar, e, quando acabam, lhe deixam feliz; feliz, porém, não pelo seu fim, mas pela leveza que deixam na alma. Um sonho que alegra o espírito, que resgata tudo aquilo que o vil tempo tentou, em vão, apagar.

Aquele sonho que vem uma vez por ano, semestre ou mês, aquele que te renova, ausente de interpretações freudianas ou místicas quaisquer. É simplesmente um sonho, o mais puro deles. Um sonho que cura o frio da alma dos poetas de antigamente, mas, mesmo curando-os, não os impede de escrever suas bobagens bem meigas para todo mundo os achar ridículos. Sonho que não pode ser descrito em prosa, somente em versos de rima rica e métrica exata.

Hoje tive um sonho, quem ler isso vai saber. Terá certeza de que em algum lugar, algum dia, alguém a teve, com o maior bem querer. E até mesmo o vil tempo nunca apagará isso.

http://www.releituras.com/rubembraga_desaparecido.asp

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

É desconcertante; Rever o grande amor.

Tocava regional fm no outro lado da sala de espera do consultório. Sozinha esperando a terapia, o cheirinho de flor de laranjeira, o sofá bege e ela. ELA.

Deixa eu te analisar, vamos inverter. Seus cinquenta anos, uma calça jeans, uma blusa de renda com um grande colar e all star. Deixa eu te contar, estou como sempre. Todo o esforço de acabar com a mente lotada não funcionou. E aquela onda de você não, você sim, meu antigo amor, a paixão desesperada, a raiva desesperada, o adeus no aeroporto, tudo, tudo isso é mais forte que o ainda. Porque toda vez que jogo algo fora, ainda, por mais que doa, é com [por] ELE; os novos perdem em qualquer comparação. Porque eu colocava o pijama sabendo do elogio, que ele tirava pelo cheiro entre os seios. É difícil saber que o amor próprio é mais importante depois de escutar que meus fios de cabelo são perfeitos. Seus pêlos são lindos. Seu coração é feito de qualquer coisa que quebra, mas que ele seguraria. Foda-se o amor próprio, prefiro ser amada assim. Os filmes passavam - assim contávamos o tempo - e eu continuava no mais alto pedestal, com margaridas na base e músicas perfeitas pra eu rir escutando. Ele me carregava pela casa, ou pela rua, ou pelo mundo, nunca pelos mesmos lugares, onde eu sempre pisava primeiro, já que meu nome começa com C, uma letra antes da inicial dele. E os anos passaram, eu caí do pedestal, ele me segurou, eu quis soltar as mãos dele, ele perdeu os dedos. E eu aqui, escutando regional FM. ELA disse que sem amor-próprio não se pode viver. Eu disse que só dá pra viver assim quando alguém não te ama tanto, que tira tudo que já teve.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Minha garotinha do fundo do baú

As havaianas eram menores do que hoje, ou seja, bem menores que o 34, ou seja, muito pequenas. Oito e meia da manhã era o prazo de fuga, quando acordava com a disposição que nunca mais teve, pulava no ombro do papai, que nunca cansava de chamá-la de minha garotinha. O presente de um Natal anterior qualquer ainda era o favorito – a bicicleta, e as Barbies não tinham mais atenção. Já estava no portão com os doze cachorros latindo para as rodas, mas antes de descer o morro da Fortaleza, a mamãe dava o melhor de si, pode acreditar: limpava a gripe na manga, passava protetor solar no rostinho bochechudo e fazia duas trancinhas que começavam do alto da cabeça até quase o quadril, onde terminavam os cachinhos da garota. Os dois irmãos marmanjos quase sempre desciam ao mesmo tempo de carro, acompanhando a corrida o caminho todo – estavam indo atrás de umas putas na praia. Ao chegar no cruzamento praia e riozinho, eles se despedem e ela fica sozinha, sem ligar. Tira o vestidinho de praia, mostra as perninhas finas, esquece a bicicleta e pula no rio. Ela fica esperando, porque logo chegaria o papai pra ensinar mais uma posição de natação. Ela adora nadar com ele.

sábado, 17 de outubro de 2009

Fuck Carpe Diem

Depois de um ano de trabalho, existe aquele flutuar parecido com a hora de embarcar para bem longe. Aqueles dias de sublime alegria, onde até pegar chuva na ida pra casa é gostoso. Tudo isso pode terminar em um passe de mágica, como um soco no estômago que dura cinco minutos, e toda ilusão de estar voando até o hemisfério norte despenca como o avião da TAM e sem poder prever.

Faz algum tempo, fui a uma exposição que tinha dez entradas. A reação dos visitantes nunca era igual. Eu quis tentar os dez caminhos para descobrir se algum deles era especial, mas um casal angolano preferiu começar pelo lado com menos fila. Eles queriam aproveitar o café do andar subterrâneo. Como o meu foco era conhecer todo as obras, e como o costume, poder contar para o Nuno qual delas era A“the” mais bizarra usando os critérios portugueses, fiz o arranjo ou combinação das entradas (tô pedindo demais do meu cérebro), e demorei quatro horas para ver repetidamente as 25 obras de um pintor Espanhol. A obra que deu nome à exposição ficava no centro. Todos os caminhos começavam por ela.

Não adianta reclamar do que eu não vi. Sempre me achando a madura, nunca imagino que o final que eu espero pode não ser o que previ, e caio em velhos truques de estado. É tipo aquelas conversas no msn problemáticas, onde a pessoa fala alguma coisa, você lê com a entonação errada, e cria-se uma inimizade instantânea, como a conversa furada. Não adianta, a primeira obra, ou o começo de tudo pode ser o mesmo, mas a sequencia não se repete.

Então, acreditei na bola de cristal mais uma vez, mesmo avisada pelo meus professores sociólogos: “não podemos prever as relações da sociedade, onde cada célula deve decidir por si”, mas é que, só para mim, o outro não tinha melhor saída do que ficar ao meu lado. E realmente não tinha. Mas quem disse que sempre escolhemos a maçã da Eva? Eu tenho um pote de requeijão e um de nutella. A melhor opção é a nutella, mas no café da manhã, passo o requeijão. Nem sempre escolhemos o mais gostoso.

Mas, acabando a minha divagação sobre as escolhas, é fato que vamos pelo mais fácil. Para nós. Não para o outro. Pra quê tentar? Ir atrás de algo que pode não exisitir? Sacrificar-se por um caminho que pode ter 917497974 outras ruas e ter de nadar em uma piscina desconhecida? Acho que não. Então, restam clichês do Carpe Diem, viagens de fuga, baladas gay e o jornalismo. Mas, por hoje, por amanhã, e talvez depois, eu mereço um café enrolada no cobertor na melhor poltrona da minha sala.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Vá caminhando.

Mais agonizante é a espera. Não o verbo; o sentimento. Você aguarda algo, alguém, uma história. Cansada de aguardar, talvez durma no ponto. Cansada de esperar, talvez caminhe até o que quer e, essa é a pior das esperas, descobre que batucou por aquilo que não era exatamente o pressuposto.
Victoria esperou Vitor voltar, ele voltou, mas não é mais o mesmo. João esperou os anos passarem para descobrir que Joana era o amor da sua vida. Esperou Joana não amá-lo mais. Gabriela aguardou os anos passarem voando, vendo sua vida se desfazer em esforço. Quando seus joelhos já não eram tão resistentes, descobriu o prazer e não conseguiu usufruí-lo ao máximo. Carolina esperou uma vida inteira para descobrir que nada vale em PRÉocupar-se.
Inteligente mesmo foi Luisa. Esperou envelhecer. Sentiu suas rugas chegarem, viveu cada trauma caindo em si e como se fosse mais uma etapa da espera pelo fim. Quando era para beber, bebeu. Quando era para ler, leu. Quando era para não rir, riu. Chegamos juntas à conclusão que parar no tempo só é válido pela única coisa do qual temos certeza: daqui vamos para bem longe.