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sábado, 24 de outubro de 2009

Hollywood

Comprei o livro pela capa emblemática, nome sugestivo e autor conhecido. Não vou nem falar da precinha...

“(...) Tinha cinqüenta e oito anos e ainda tentava ser escritor profissional e vencer na vida apenas com a máquina de escrever. Iniciara esse curioso meio de vida aos cinqüenta anos. Mas não se pode viver sempre escrevendo, e havia muito espaço a preencher. Eu o preenchia com uísque, cerveja e mulheres. Acabei me enchendo da maioria das mulheres e me concentrei no uísque e na cerveja.

Na noite em que isso aconteceu, minha namorada Sarah estava lá em casa. Sarah tinha alguns pontos positivos. Por exemplo, me fazia mudar aos poucos do uísque para o vinho, o que provavelmente significava mais três anos de vida. E eu precisava desses anos extras, porque não escrevia o bastante.”

O livro é Hollywood de Charles Bukowski, um romance quase autobiográfico escrito a partir da experiência do escritor em fazer o argumento do filme Barfly. Ainda não o terminei, na verdade comecei ontem à noite a lê-lo. Se você gosta de uma boa história, alter-egos de personalidades reais (entre eles Coppola, Sartre, Godard e o próprio autor), além de diálogos crus, sem firulas estéticas, esse livro é para você.

Está dada a dica.

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Boa Sorte

É tão bom ver uma aracuã de novo. Ainda mais aqui, em plena área urbana, no pequeno verde perdido no concreto. Dá-me uma esperança, uma faísca de fé que nem tudo está perdido. Avistar uma ave dessas, hoje, deveria ser um bom presságio, assim como ver uma esperança verde, mas - não como essa - um sinal de dinheiro a vista; um sinal, porém, de que algo bom, puro e simples, vai acontecer.

A ave balançava com a brisa no galho de embaúba. Seu canto tosco parecia tentar me chamar, “Estou aqui, trago-te boa sorte”, depois voou. Na hora me levantei e fui dar uma volta. No caminho uma borboleta amarela me cruzou o caminho. Segui-a com os olhos enquanto, no seu frenesi alado, visitava as flores rosadas na copa de uma árvore. Fazia tempo que não me encontrava assim como essas amarelas. Segui meu caminho e encontrei uma pitangueira. Mas não era uma pitangueira normal; copa baixa e larga para alcanças as frutas com as mãos, pitangas grandes e maduras para um deleite, semente pequena e polpa doce para fazer licor, e longe das outras para ser só minha. Acho que é culpa da aracuã, ela deve ter chamado a borboleta para me mostrar o caminho da árvore.

Até agora escrevi - a lápis diga-se - todo esse relato medíocre e sem direção. Você lendo, deve ter se perguntado o porquê. Pois bem, deixo agora de enrolar, vou direto ao ponto.

Não acho que foi sorte encontrar a pitangueira, ela foi apenas um instrumento. Seu gosto e visão não foram importantes, mas seu cheiro... Cada vez que o sentia, lembrava de você, seus cabelos, seu perfume. Eu lembrava que ia vê-la mais tarde e como isso me faz bem. Não foi sorte que a aracuã trouxe como eu pensava antes, mas ainda foi algo puro e simples, como eu esperava: a vontade de ver meu amor.

Nota curta

"Kaxopa, deu de poesias e volta a escrever seus textos depressivos nesse negócio."

Textos depressivos virão, é só esperar.
Agora estou numa fase mais light, preparem-se para a hora do espanto...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Votação

Ok, a votação acabou e ficou decidido pela mudança de nome...

Sugestões de nome nos comentários, por favor.
Ninguém lê isso aqui mesmo...

sábado, 17 de outubro de 2009

Sebastião

Nas minhas longas quartas-feiras no Parque do Córrego vejo muita coisa, das mais banais às pitorescas. Velhinhos curtindo a melhor idade com passeios vespertinos, jovens moças com suas roupas apertadas dando voltas e voltas, um senhor de barba e cabelo vikings tomando chimarrão enquanto canta uma velha canção, além de, é claro, crianças, muitas crianças. Mas nenhum desses personagens cotidianos realmente faz diferença para mim, suas passagens são - desculpem – passageiras. Um único personagem certa manhã apareceu como quem não queria nada, o atendi como quem não queria nada e por fim passamos a manhã conversando. Seu nome descobri apenas depois, quando estávamos voltando, eu para a Universidade, ele a caminho da escola de sua filha, era Tião.

Meu Deus, que inveja de você, trabalhando nesse escritório lindo”, disse ele gesticulando para o lago. A estatura baixa, a cor marrom com rugas de sol, o cabelo raspado, as roupas simples e a voz mansa, faziam impossível não conversar com ele. “Adoro meu trabalho, sou pedreiro, na verdade trabalho com elétrica, mas o seu mata a pau”, continuou. Papo vai, papo vem, crianças passam, velhinhos também, e a conversa continuava. “Sou do interior, vim para cá fazer História na Federal, mas larguei no segundo semestre para ir até o Uruguai e Argentina de bicicleta”. Que criatura diferente, nunca esperava isso dele quando nos encontramos. “Não quero ficar rico, tendo dinheiro para comer, morar perto da praia e tomar minha Kaiser no final de semana, não passando fome, tá ótimo, tenho pena de quem vive pelo dinheiro”, nessa hora eu já estava adorando o cara. Conversamos mais sobre natureza, história, arte, Florianópolis, RU, mulheres e futebol, talvez não nessa ordem - nem de modo tão linear. Mas quando olhei meu relógio e já eram onze horas tivemos de partir. Um aperto de mão no trevo do Córrego, a, um tanto tardia, apresentação e um “Até logo”. Pronto, Tião se foi, ia começar a trabalhar em Canasvieiras, não teria mais folga, nem manhãs à toa para passar no Parque.

De personagens assim, criaturas de aparições únicas e rápidas, como estrelas cadentes, que salvamos nosso cotidiano da monotonia. Um cara no Básico com quem discuti a vida e obra do João de Barro, ou, como ele o chamava, Barreirinho; um bêbado na saída do Beira-Mar que discursava sobre Frank Zappa; um chapado que tentava filar meu cigarro; um cabeludo que queria saber sobre tarraxas; todos doses únicas de companhia bizarra, mas muito divertidas. Ficam guardados lá na memória, junto com o Tião, em seções especiais, dedicadas ao inesperado e estranho.

Tomara que ele consiga seu dinheiro para a cerveja, mas que não seja Kaiser.