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segunda-feira, 14 de junho de 2010

A maçã mordida


Alan turing idealizou a máquina universal e influenciou toda a idéia de computador, é considerado o "Newton" da computação. Sua dramática história de vida acabou com o suícidio após a prisão sob acusação de "loucura e perversão sexual", ou seja, para a época, o mesmo que ser homossexual. O matemático foi obrigado a tomar hormônios femininos, entrou em profunda depressão e, devido à obsessão pelo filme "A branca de neve e os sete anões" , se matou mordendo uma maçã envenenada. O texto conta a verdadeira história do símbolo da Apple. Muitos creditaram a maçã mordida da Steve Jobs como homenagem a Turing, mas não é bem verdade. A biografia do escritor David Leavitt contesta, mas a imagem do primeiro símbolo (acima) supre qualquer dúvida.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Novidades

Dei uma repaginada no layout do Blog, quem sabe isso vai incentivar os membros do blog a postar alguma coisa.

Também criei um Feed RSS.

Câmbio, desligo.

sábado, 5 de junho de 2010

“Tu acreditas em amor?”

***

Marina chorava deitada no divã, abrigada na escuridão de sua sala. No lado de fora a chuva fustigava a janela do pequeno apartamento. Dois dias de chuva, o mesmo número de dias sozinha. Enquanto as lágrimas escorriam pela face e pingavam do delicado queixo, ela se apegava as memórias e se perguntava se podia voltar atrás.

Levantou-se, caminhou lentamente, ainda de pijamas, até a janela. Olhando sua própria imagem triste, teve vontade de abrir-la para sentir a chuva no rosto, refrescar-se, limpar o choro, esquecer de tudo. Com as mãos na tranca desistiu, não adiantava, não iria curá-la. Não tinha mais nada a fazer além de se jogar novamente e se entregar às lagrimas, à torpe dor.

Quatro meses em que caminhou por cima dele, despiu-o de seu ego, provocou nele lágrimas. Irônico, ela pensava, agora sou eu aqui aos prantos. Como um animal cansado de ser maltratado, ele fugiu, não quis saber mais da mão que lhe trazia fel. Marina, segura, achava que estaria como antes, livre, desinibida, pronta para o resto da vida. Agora estava lá, deitada, coberta em seu pranto, acompanhada da chuva, escuridão e seu velho divã.

sábado, 29 de maio de 2010

Jacobina

Aconteceu quando eu voltava do colégio. Estava no primeiro ano, não conhecia muita gente e o caminho até o ponto de ônibus eu fazia sozinho. Sem pressa, pois o almoço em casa sempre tinha que ser esquentado e havia muitos ônibus naquele horário, fazia o trajeto olhando a curiosa e, para mim, nova cidade açoriana - os velhinhos amontoados nos tabuleiros de xadrez ou jogando dominó, as ruas estreitas, o calçadão, o câmbio dólar.

Como eu era diferente naquela época... Mais magro, praticava esportes, não bebia ou fumava e queria fazer faculdade de História na UDESC. Mas ainda gostava de ler, passava tardes de ócio no computador e não entendia as mulheres, como hoje. O cabelo sentia falta de uma tesoura, sem corte, desgrenhado e comprido, a face sem barba, a testa com espinhas; calça jeans preta, camisa do colégio branca e por baixo a camisa australiana – então - preta.

terça-feira, 25 de maio de 2010

Glossário-zinho-inho

O contato com os internos de uma penitenciária (para não dizer “presos”) é uma coisa única. Depois que cruzamos os  portões, o mundo fica de cabeça para baixo; tudo muda, a hierarquia, os hábitos e o vocabulário. O linguajar dos apenados (não vou dizer “presos”) tem as mesmas peculiaridades que qualquer vocabulário de qualquer “tribo” moderna tem. Algumas para não dar a entender a coisa errada – ou você acha que pedir um “rabo quente” não ia pegar mal?

Como várias pessoas gostam das gírias internas, ai vão algumas:

- Marrocos: pão

- Moca: café

- Vaquinha: leite

- Areia: açúcar

- Alpiste: arroz

- Rolamento/Jofer: feijão

- Macaca/Meia lua: banana

- RQ: rabo quente

- Semente: ovo (de semente de galinha, adoro essa)

- Granada: almôndega

- Zoiuda/Tela: televisão

- Papagaio: rádio

Sinto como se eu estivesse quebrando um código falando isso, então só vou ficar com esses. Quem sabe algum dia não afogamos o boi, arranjamos uma mulher de polícia assada, ou um caçador de Andrade do Design não é pego com o radinho andando por ai...