Nada pior que ser forçado a tocar quando você está cansado e passou do ponto. Nessas horas tento me manter longe dos holofotes famintos dos outros bêbados; se você rejeitar o pedido, principalmente quando se está envolto por desconhecidos, todos o olham com desprezo. Não sou um trovador, muito menos estou aqui para entreter vocês, busco meu próprio êxtase, meu clímax, longe de desconhecidos, que buscam uma única dose de prazer momentâneo nas nossas companhias passageiras. Amanhã nunca mais a verei; daqui a duas horas, ele partirá; de agora em diante, nos veremos ocasionalmente nos corredores e sentiremos um dever obscuro e fútil de dizer “olá”. Pífio, sem significado, desnecessário.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
domingo, 30 de janeiro de 2011
Palácio–partes III, IV, V e VI(final)
Continuação do conto Palácio. Está perdido? Parte I e parte II
Vera Lucia nunca entrara em um puteiro antes. Era acostumada com os que apareciam em enlatados norte-americanos. Deparou-se com um bar quase normal. Quase, se não existisse um palco com uma mulher seminua dançando e algumas garçonetes de lingerie e peitos à mostra. Provavelmente a putaria de verdade que esperava não começara devido à hora. Ainda era cedo, o Palácio parecia mais um lugar cult, onde poucos universitários tomariam alguma bebida discutindo alguma banalidade acadêmica. Um armário negro, usando um paletó gasto e fora de moda se colocou à sua frente.
Palácio saindo do forno…
Estou corrigindo as últimas partes do texto para postar ainda hoje. Queria agradecer ao pessoal que comentou o texto aqui ou no twitter (@leocavia, @CarolMSalles e Capitu). Saber que alguém leu as primeiras partes me fez levar a coisa um pouco mais a sério.
Também agradecer a Mari que me incentivou a continuar.
Ah, e um muito obrigado especial para Vera Lucia e Caio. Sem vocês esse conto não existiria.
Fui!
domingo, 9 de janeiro de 2011
Palácio – II
Continuação do conto baseado em causos reais Palácio. Não leu? Clique aqui.
***
Uma semana depois do telefonema, Caio avisou que sairia novamente com os amigos.
“Onde vocês vão?” O rosto quase realmente ingênuo de dona de casa brilhava na sala em frente à televisão.
“Na casa do Rodrigo. Beber, fumar uns charutos, falar bobagem...” Enquanto falava, Caio tirava as chaves do carro de cima da mesa e caminhava para a sala. Se despediram com um beijo rápido. Vera acompanhou com o rabo dos olhos o fechar da porta, levantou-se, caminhou até o armário de bebidas e arrancou uma garrafa de gin. Essa noite precisará de gin.
Suficientemente amortecida, ela checou o quarto da filha. Dormia como um mimado querubim bizantino. Recolheu as chaves de seu carro e desceu. Suava frio, sentia sua barriga dando voltas. Entrou no carro e engatou a primeira em seu plano.
A noite estava fresca e tranquila, com uma lua cheia digna de um jazz outonal em Paris. O carro de Vera passeava tranquilamente pelas ruas estreitas da cidade, planando pelo asfalto. A primeira parte do plano era checar a casa de Rodrigo. Mesmo que ele fosse ao tal Palácio - como ele iria, Vera tinha certeza - Caio realmente passaria antes na casa do amigo. Com uma lenta passada com seu carro identificou o automóvel de Caio estacionado. Um importado com a sugestiva, e irônica, placa MEU.... era facílimo de reconhecer. Vera ainda tinha tempo.
Vera encostou seu carro algumas quadras depois. Vale mesmo a pena fazer isso? E se não der certo? E... se der certo? As dúvidas se afugentaram quando lembrou que ele passaria a noite com meretrizes... Não, meretrizes não, nome pouco vulgar para quem se metia (ou era metida) com seu marido, eram putas, biscates, pistoleiras. O jazz que tocava naquela lua ia se transformando em um bop cada vez mais rápido. Lúcia olhou-se no retrovisor, viu a profundidade felina de seus olhos pintados, o olhar venenoso de uma mulher irada, engatou a marcha e dirigiu sem pestanejar até o Palácio.
A fachada do bordel não disfarçava seu real intento. Entrar ali achando que se tratava de um bar normal era impossível. A porta dupla, com películas negras que impediam visualizar o interior e um diminuto toldo bordô imitando os hotéis nova-iorquinos, os neons rosas, vermelhos, brancos e azuis que desenhavam e piscavam torres de um palácio árabe, o cartaz com uma advertência contra menores de dezoito anos. Era realmente uma zona. Vera Lúcia estacionou seu enorme carro alguns metros antes de chegar ao inferninho. Caminhou etilicamente confiante até a porta negra e entrou.
***
Paro aqui para continuar semana que vem. Folhetim que se preze acaba em situações chave. Mastigarei o final por mais um tempo.
Continua...
Cem posts… sem nada…
Pois bem, pois bem...
Essa é a postagem de número 100! Olha só que beleza. Cem posts, sem conteúdo, sem participação ativa, em pouco mais de dois anos de blog. Pois é, a primeira postagem foi no dia 09/10/2008.
Só para marcar esse número ‘incrível’, alcançado depois de muito tempo, livros, amores, decepções, porres e papo furado.
Prometo, como sempre, postar mais, mesmo que pouquíssima gente leia ou participe dessa aventura pseudoliterária. Faço isso mais pelo meu ego e diversão do que pelos outros. Claro que um comentário ou outro, mesmo que seja um (y) ou (n), é sempre bem vindo.
Obrigado visitantes, boa leitura, ou fuga. Acendam um cigarro, tomem um gole, ou simplesmente leiam.
PS: Quer brincar de escrever e postar alguma coisa? Entre ali em Contato e mande um e-mail. A gente se acerta.