segunda-feira, 25 de maio de 2009

cansei.


Uma árvore, outra árvore, mato, mato, mato, mato. Pisca e pensa o quão pesadas são as imagens repetidas. Mal de fotógrafa.
Não gosta de ver as mesmas pessoas, os traços cansam o click mental e deletam o prazer em vê-las. Em sintonia, encontram-se os ímpares que, de tão fotogênicos, fazem-na querer revelar sempre; certamente tais personagens não permitem a seus olhos tal previlégio.
Ignora aquele sujeito que insiste em desconfigurar os planos e segura a ponta do dedo. Não podem ser íntimos, lembra-se de ser o errado, no ângulo torto, na hora contrária da foto. Apaixona-se fácil por aquele que, sem esforço, amplia a sua luz. Existe o que não se importa em ser capturado; existe o que, como os índios, vê sua aura ir-se ao ser fitado. Não é grosseria, nem desamor pelos que à amam; é a automática seleção do agradável à mente e aos seus olhos, que buscam o contraste, o movimento, o quadro e... click.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Quarta-feira

Hoje foi um dia banal. Sem ônibus e com filas gigantescas, fiquei trancafiado em casa. Cortando cebolas e tomates para o tatu - o corte bovino, não o animal - ensopado de minha mãe, fiquei com vontade de escrever. Enquanto a faca descia e subia talhando finas meias-luas de cebola e o cheiro sulfuroso irritava meus olhos, tentei pensar em alguma coisa para postar neste tão parado blog. Ai que me lembrei de um trecho de Machado de Assis, “Há um meio certo de começar a crônica por uma trivialidade. É dizer: Que calor! Que desenfreado calor!”, Luis Fernando Veríssimo dizia algo semelhante, mas estou sem o livro aqui pra copiar a citação. Desculpem se não memorizo frases para jogar nos textos, não faço jornalismo.

Pois bem. Não está quente hoje. Também não está frio. Como diabos começar um texto com um tempo estranho desses? “Uh, parece que vai chover.” Isso não é conversa de elevador. Vamos tentar de outro jeito.

A pior coisa de uma greve de ônibus é que você fica com o dia livre. Geralmente isso é bom, dá para vadiar bastante, curtir o ócio, ir à casa de algum amigo e fazer qualquer coisa. O problema é que sem ônibus, não adianta matar aula. Você fica obrigado a permanecer em casa, olhando o Orkut, Messenger, Gmail ou televisão, na melhor hipótese você lê um livro ou estuda. A última não é uma “melhor hipótese”, mas está valendo.

Pois bem. Não fiz nada de útil hoje e minhas idéias para um texto decente não chegaram. Deu-me vontade de ligar para Rosa Cabarcas, simplesmente para dizer “É hoje!”. Mas não adianta, não tem ônibus para chegar lá.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Top Ten.

Cansada de aguentar o Daniel (kaxopa) me mandar postar no blog, chamei o outro Daniel (meu companheiro de casa) para fazer a lista pessoal das dez melhores músicas do mundo.

1. Something - The Beatles
2. While my guitar gently weeps - The Beatles
3. All things must pass - George Harrison
4. Happiness is a warm gun - The Beatles
5.Isn't it a pity - George Harrison
6. With a little help from my friends - The Beatles
7. Venus in furs - Velvet Undreground
8. Positively 4th Street - Bob Dylan
9. Autumn Almanac - The Kinks
10. Eleanor Rigby - The Beatles



http://www.youtube.com/watch?v=mh5Itf1urlI&feature=related

Bom, o Dani disse que amanhã, se eu pedir outra lista, ele faria outra completamente diferente.
Semana que vem faço uma lista da MPB.

um filme para os que gostam de listas: alta fidelidade.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Café

                Aquela sensação era muito estranha, ele sentado à mesa do café da manhã, ela na cozinha, com um silêncio matinal pairando na atmosfera do pequeno apartamento. O café quente, feito por ela, retribuído apenas com um sorriso amarelo; o pão comprado por ele, fatiado sem cuidado, retribuído apenas com o trocado. Cada gole revelava apenas um momento de desconforto, onde nenhuma palavra cabia.

                A noite anterior, monótona e acompanhada por filmes ruins, fora semelhante. Entre cada fala do script, a vergonha de se comunicar, de se entregar, mostrava a sintonia dos dois.  Dormiram em camas separadas; ele na sala, ela no quarto, mas o vazio na cama de ambos dava-os um aperto por dentro.

                Enquanto ela fazia mais café na cozinha, ele examinava a xícara vazia. O leite derramado da leiteira, coberto com preguiça por guardanapos, pingava no chão, como um metrônomo contando os compassos de pausa em uma orquestra descuidada. Ambos chegaram até ali, planejaram chegar até aquele momento, porém todas as semanas passadas previam algo melhor, um casal feliz. Talvez a diferença estivesse ali: não planejaram continuar amigos, só ser um casal. Enquanto a cafeteira era posta na mesa, o silêncio inquieto daquela manhã acordou os dois.