quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Nota de fim de ano?

Faz tem que não escrevo nada novo. Estou sem vontade, sem o mínimo saco. Mas se eu parar, tenho que torcer para a Carol manter o ritmo, senão isso fica jogado às traças. Não que eu esteja desistindo de escrever, longe disso, simplesmente me faltam as palavras para tudo. As bolhas nas pontas dos dedos me tiram a vontade de digitar e os vícios me deixam longe de casa. Um coquetel antipostagem, praticamente.
Bem, estamos no final do ano. Véspera de natal, uma semana para o ano novo. Tempo de retrospectivas, promessas, cheque especial, suicídios, presentes, 13º, ficar torrado como um camarão, viajar, desejar felicidades (ironicamente ou não), a lista é longa... E, no lugar de fazer alguma coisa assim, você fica lendo isso? Faça-me o favor, levanta e aproveita os últimos dias de 2009. Ler blogs não leva a nada.
Feliz Natal e etc...

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Vocês

Acho que quem mais lê esse blog são mulheres. Para falar a verdade, nem sei quem lê isso. Nunca mais uma alma viva comentou algo. Então isso é para vocês mulheres, criaturas feitas de uma costela e muitos hormônios.

Mulher é um bicho engraçado. Não vou entrar no mérito do seu ciclo menstrual e humor flutuante, pois, como diz o velho ditado, não se pode confiar num bicho que sangra por cinco dias e não morre. Falo da índole que essas amáveis criaturas têm, de se manter em um estado simultaneamente indecifrável e inteligível.

Uma mulher não se decide. Queria ficar sozinha e se reencontrar. Na grande oportunidade que teve fez justamente o oposto, agora está presa ao presente, com a cabeça no passado, mas temendo o futuro. Entendeu? Não? Nem eu... Outra diz que quer, mas quando consegue muda de idéia. Inventa uma desculpa, abaixa a cabeça e reclama a rejeição, que ela sequer deu chance de acontecer. A terceira é um grande mistério, um ponto de interrogação, cada movimento é imprevisível e uma caixinha de surpresas. A quarta, mas não menos importante, não é mais a mesma, mudou da água para o vinho, e tenho medo se ainda conseguimos nos dar bem por causa disso. Tem aquela que parece que não cresceu, se porta como colegial, mas quer ser adulta. Por outro lado, uma se porta como adulta, mas não tirou a cabeça do lugar desde o ensino médio.

Mas ainda estranhas e incompreensíveis, elas tem o que queremos. Não estou falando apenas do sexo, mas daquele algo a mais da vida, o que aquele “ponto G da alma”, como Jabor disse, proporciona. Seria o amor? Sentimento tolo, cego e inconseqüente que faz tomarmos decisões sem pensar? Ou apenas sua companhia? Sua voz cálida, seu toque em nossos braços quando nos falam como amantes, ou apenas amigas? Fico com o Poetinha, sábio conhecedor das mulheres, nessa.

 

"Mulheres existem para serem amadas, não para serem entendidas.”

Vinicius de Moraes

 

22/06/2009

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Minha garotinha do fundo do baú

As havaianas eram menores do que hoje, ou seja, bem menores que o 34, ou seja, muito pequenas. Oito e meia da manhã era o prazo de fuga, quando acordava com a disposição que nunca mais teve, pulava no ombro do papai, que nunca cansava de chamá-la de minha garotinha. O presente de um Natal anterior qualquer ainda era o favorito – a bicicleta, e as Barbies não tinham mais atenção. Já estava no portão com os doze cachorros latindo para as rodas, mas antes de descer o morro da Fortaleza, a mamãe dava o melhor de si, pode acreditar: limpava a gripe na manga, passava protetor solar no rostinho bochechudo e fazia duas trancinhas que começavam do alto da cabeça até quase o quadril, onde terminavam os cachinhos da garota. Os dois irmãos marmanjos quase sempre desciam ao mesmo tempo de carro, acompanhando a corrida o caminho todo – estavam indo atrás de umas putas na praia. Ao chegar no cruzamento praia e riozinho, eles se despedem e ela fica sozinha, sem ligar. Tira o vestidinho de praia, mostra as perninhas finas, esquece a bicicleta e pula no rio. Ela fica esperando, porque logo chegaria o papai pra ensinar mais uma posição de natação. Ela adora nadar com ele.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Barfly

Adoro ir a um bar. Fato, todos sabem, não nem porque comecei o texto com essa frase. Enfim... Dependendo da situação e companhia, quanto pior o bar melhor. E de vez em quando é bom sair do circuito universitário da Trindade-Carvoeira-Córrego-Pantanal: Quebra-Gelo, Iega, Nina, Meu Escritório, Gus, Vasquinho/Cocaina, Midnight, todos são bons, uns mais que outros, um você não leva a namorada, uns você nem sabe quanto gastou até o bar fechar. Mas o mesmo garçom de sempre e a mesma mesa plástica da Skol, exigem uma mudança de hábito de tempos em tempos. Um telefone inesperado pode fazer isso por você.

Quando o telefone tocou, eu estava jogado no sofá, assistindo Jornal Hoje, morrendo com o calor infernal. Para não me estender em diálogos e histórias, ele tinha que entregar o TCC na faculdade, mas ia ter que ficar esperando até a orientadora chegar. Como não é bobo, ligou pro amigo que morava mais perto e que sempre topa uma parada cervejeira no meio da tarde para um gole. Sinceramente, não o culpo. Desliguei o telefone, peguei a camisa e os tênis surrados e me mandei a pé para o rendezvous.

Chegamos lá, todos os bares dos arredores fechados. Não sei qual o negócio desses bares de faculdades particulares, fechar em plena tarde quente de quarta-feira. Não faz sentido. Conseguimos informações em um restaurante quase fechado que existia um bar no outro lado da rua. Estranho porque só tinha uma loja de colchões lá. Fomos mesmo assim, o que tínhamos a perder? Já estávamos suando como porcos mesmo. Para nossa surpresa, existia uma sobloja – dúvidas sobre a existência dessa palavra – escondida. Descemos a escada e ali estava o oásis.

O boteco, sim aquilo sim era um boteco por definição, o diminutivo de “botequim”, segundo as proporções e “decoração”. Era um daqueles bares que você imagina o cara que concerta sua lavadora de roupas tomando uma cervejinha depois do expediente. A mulher tinha recém aberto as portas, era tudo nosso. A entrada estreita não dava lugar para mesas, só o balcão e seus bancos. Era um balcão daqueles que a metade de baixo é uma janela de vidro do refrigerador, cheio de refrigerantes dentro, diversão para todas as crianças, embora eu duvide que alguma freqüentava o ambiente. Na parede um brasão do Figueirense e outro do Vasco, só faltava um pôster de Campeão Brasileiro. Entre os brasões Nossa Senhora de Fátima olhava para a geladeira de cerveja.

Mal sentamos e a mulher do bar ligou o radinho, só sertanejo. Pedimos uma cerveja. “Schin ou Kaiser?” Dá-lhe Schin. A primeira veio congelada, a segunda no ponto. Marlboro vermelho na mesa, cinzeiro a caminho, isqueiros acesos, fumaça pelos ares. No fundo escuro do bar, duas mesas de sinuca. “Isso ta começando a melhorar”. Alguns jogos, papo vai papo vem, estava na hora de ir.

Meu Deus, como é bom abrir um bar. Você se sente tão digno. Ai ai, adoro ir a um bar. Fato. Acho que vou terminar agora, está ficando repetitivo.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

É básico, bicho

Não há lugar como o Básico. Não que eu gostaria de estudar lá, estou bem feliz com meu acanhado CCB, mas o Básico tem sua magia. Sua localização favorece um pouco, é um lugar onde você senta e logo aparece uma alma conhecida – que se diz atrasada para a aula de 8:20, apesar das 10 horas no relógio.

O fundamental, porém, é a quantidade de cursos peculiares: design, jornalismo, letras, cinema e cênicas. Basicamente (ah, sacou o trocadilho?), o coração pulsante da Universidade é uma terra de clichês e peculiaridades. Sabe o estudante de jornalismo gay que namora o estudante de design? Lá está ele. Aquele emo estranho? Aquela rodinha cult tocando violão? A garota do Letras Francês lésbica? A gótica lendo Nietzsche? A gaúcha que coleciona corações? A futura garota da previsão do tempo? Todos estão lá. E todos convivem felizes, claro com as pequenas cismas entre os cursos. Espanhol contra Inglês, ninguém dá bola pro Alemão e todos contra o Jornalismo – ei, é um fato, não fui eu que criei as regras, não tenho culpa se os jornalistas se escondem no aquário.

Eu gosto do Básico. O café é bom. Pessoas estranhas. Sempre alguém com um isqueiro. Lugar bacana. Só faltava vender cerveja.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Ócio

Antes de ler esse texto, é bom engolir os outros 25 textos sentimentais que postei este ano, ver quantas marcações saudade, amor, vida e viagem estão neles, um pouco pela proposta de escrever textos melosos, um muito pelo que vou contar. Na verdade as marcações podiam ser só como ócio, que está em três textos, todos do kaxopa.

Ultimamente criei mil e uma teses sobre como os homens chegam em mulheres só por amizade e se se - odeio repetir o se se, mas o sono é grande - apaixonam por mulheres fracas, se o que elas procuram é poder mesmo. Afinal, teorias que nascem do ócio. A saudade da família, do meu pai, dos meus irmãos, do cheiro de europa, da copa argentina, do suco de uva de caxias, da minha gata pantufa, tudo, e quando digo tudo é TUDINHO, é fruto do nada.

Fruto talvez não seja a palavra certa – mesmo que o cazuza diga “tem o certo, o errado e todo o resto” - já que me lembra maçã, que lembra pecado e aquele papo adão e eva, que lembra putaria, que lembra american pie, que lembra cinema e, finalmente, crepúsculo. Essa linha de pensamento, como a inutilidade que eu escrevi agora, é o caminho do NÃO FAZER NADA. O fazer algo, mesmo que algo seja ligado a nada, como ler o livro da bruna surfistinha em um sábado a noite, revela um não pensar besteira e ser menos sentimentalóide – discuti a semântica recentemente e achei interessante; tese número um exposta no blog: A linha entre o brega e o meigo é tênue. Só pessoas muito inteligentes conseguem ser fofas de fato, caso não consigam, ficam entre o brega e o meigo: o sentimentalóide. Mas, voltando ao assunto vadiagem, no bom sentido da palavra, ele é a causa de 80% dos problemas emocionais que o nosso psicológico cria, exceto as pessoas estupradas, com parentes assassinados, filhos perdidos e muito, mas MUITO feias. O caso é que precisamos fazer coisas. Ponto. Cansei do papo e das teses – essas eu não vou pontuar aqui – o que acontece comigo? Como saio dessa? A resposta é simples: é só esvaziar os espaços em branco até notar que deus, ou quem quer que seja, decida que você merece pensar besteira sem acabar com a sua vida. Radical? É, eu tô com as botas pesadas.

Próximo post eu explico a história das botas pesadas, mas agora vou fazer uma besteira.



segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Quinze minutos sem adnet

Isso de quinze minutos ainda me dá medo. Teorizei sobre as coisas que falei, as pessoas que me apaixonei e os furos que eu quase dei. Tudo acontece em quinze minutos ou menos.

A mesa rosa, com aquele arranjo de flores de festa de quinze anos – depois meu irmão levou pra casa, pagando que comprou pra minha mãe na floricultura -, as meninas de vestido e os garotos de camisa e sapato. Tudo fez parte de mais um quarto de hora que mudou a vida de mais um, a minha, sinceramente, não notou em nada. O gordinho espinhento nem sequer fazia parte da decoração, não abria a boca e fazia o perfil detonado e loser pro resto da vida sem ligar. Achei engraçado e, como até hoje, tento fazer a maluca que entra na sua vida de repente. Dessa vez funcionou.

- oi, como vc tá aí sozinho?, vem beber coca com vodka!


- eu não bebo.

- Como não?

- Prefiro ficar sozinho

- Ninguém prefere ficar sozinho, as pessoas acabam tendo que ficar sozinhas


(***)

Também na festa de quinze, que dessa vez era a minha, apareceu mais um furão. O pai falava que não queria pessoas fora da lista, mas eu liberei bem uns 20 a mais, achava de esquerdinha. O cara era bonito, apresentável e perguntou meu nome e qual era a onda do meu anel tão lindo; “é de paris, meu pai me deu”.

-Pode sair comigo sem o anel?, juro que vou lembrar o seu nome.

- Onde iríamos?

- Assistir um filme no cinema

Esse cara me consumiu por mais de ano, até hoje aparece dia sim, dia não. Esse fez diferença na minha vida, e o diálogo que me apaixonou durou mais que cinco e menos que quinze minutos. Cuidado com essas frases de “efeito”, elas pegam a gente sem dizer oi.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Canción para mi poltrona

Cruzei as pernas como uma índia, sentei na poltrona da sala – aquela que eu uso pra tomar café oito horas da noite – e tomei uma canequinha, só que dessa vez quatro horas da tarde. Ao lado da poltrona estão os cds, dvds, revistas, porta retratos, recordações de viagem e, atrás de tudo, as coisas escondidas, os discos que eu mais gosto e escondo pra escutá-los quando eu realmente lembrar, sem vê-los.

O compilado do Fito Paez é um dos que eu não venderia nem pelo meu fígado. O argentino nem sequer tem qualidade musical – em quase todos os sentidos da palavra -, mas tem o sentimento e até o cheiro de córdoba. O cd é pirata, tem como primeira faixa Canción para mi muerte, a música mais triste, e mais ainda é a coleção que segue nas outras selecionadas. No meio da música, o Fito larga um thurururururutchururá. Tipo a Paula, minha hermana, que chorava deseperada de saudade do namorado, mas, entre o soluço, ria de qualquer coisa que passava. Ela mesma gravou o cd e, propositalmente, escolheu a primeira música. Lembrava de mim.

O rádiozinho, que eu ganhei da Letícia, fica ao lado da poltrona, aí não preciso levantar pra colocar os cds. Como o dia foi absurdo de bizarro: tive minha primeira tpm depressiva, escutei três pessoas chorando e meu irmão lembrou de me ligar, fui obrigada a lembrar das minhas viagens de fuga e, é claro, da argentina e, então, de córdoba. Fito Paez. Começaram os violinos tristes, o pianinho, eu relaxei, meus ombros baixaram, minha perna esticou, Hubo un tiempo que fue hermoso y fui libre de verdad, guardaba todos mis sueños en castillos de cristal. Poco a poco fui creciendo y mis fábulas de amor se fueron desvaneciendo, como pompas de jabón. Te encontraré una mañana dentro de mi habitación y prepararás la cama para dos...

Não vale a pena escutar quem não viajou, quem não conhece e gosta de Fito, mas vale a letra. Os Sui Generis escreveram a música, e é a canção pra quando um deles bater as botas. A thata super ama, mas acho que nunca contei essa história. Aqui está.

Azurra

Programa de domingo é sair de casa, ir à Ressacada e ver o Avaí jogar. Claro que com algumas cervejas no caminho e algumas companhias para falar mal da arbitragem, técnico e daquele lateral direito que adora matar as jogadas de ataque. Se não acontecer jogo aqui, e não for televisionado, vale ver o jogo da TV com o radinho de pilha no lado sintonizado no Leão.

Foram dois os jogos mais importantes para os torcedores esse ano, contra o Flamengo e Corinthians. Mas porque esses dois times? Talvez porque até alguns anos atrás aqui em Florianópolis era comum a pessoa torcer pelo Avaí ou figueirense e também torcer por um time de fora, geralmente Vasco ou Flamengo. A chance de ver o Avaí, time do coração, da sua terra, contra o time que você sempre teve muito carinho e torcia na série A, dá um charme à partida. Melhor ainda se o Imperador jogar, ver um dos melhores atacantes que surgiram nos últimos tempos (deixando de lado aqui os problemas pessoais), torcer para que seu time consiga segurar a pequena criança, tudo é mágico para um ano de estréia.

Já o Corinthians sempre teve uma ligação com o figueirense, seja pelas cores ou pelo gavião adotado pelas duas torcidas. Assim de cabeça, não conheço nem um corinto-avaiano. Outro tempero desse jogo é a rivalidade que surgiu na série B de 2008; brigas de jogadores, os dois times querendo ser campeões e o orgulho azurra cansado da segundona. Sem falar de um certo Fenômeno que iria destruir o Avaí. E vamos falar a verdade, o estádio só lotou por causa da presença ilustre do Ronalducho. No aquecimento você o avistava de longe, a camisa de treino branca sem manga recheada por quilos sobressalentes de... humm... habilidade futebolística. Era a segunda vez que ele pisava na Ressacada, na primeira ele havia marcado seu primeiro gol pela Seleção, em amistoso no ano do tetra.

Mas quem foi ao estádio ver o Ronaldo - brilha muito! - se arrependeu, só viu um chute à gol da pelota. Quem brilhou mesmo foi o Avaí. O Timão ficou perdido em campo, envolvido por um Avaí inspirado. É, nós avaianos temos que aproveitar essas horas para se gabar um pouco. Estamos ai, podendo disputar a Libertadores, confirmados na Sul Americana e garantidos na série A do próximo ano, nada mal para uma tartaruga encima do poste.

Três tentos a zero contra o rubro-negro e score de 3 contra 1 no alvinegro. Nos maiores do país. Trinta anos depois, agora com o devido respeito. Esse Avaí faz coisa...

sábado, 7 de novembro de 2009

aaaaaaaaaaaaaaaaaah, é você!

O kaxopa sabe da minha paixão nem tão enrustida pela Natalie Portman, linda em todos os filmes que já fez careca, loira ou com cabelo chanelzinho. Filha de uma BOA puta. O último filme que eu vi foi o Garden State, onde ela atua como uma mentirosa linda (claro). São três amigos que estão na capa do dvd gritando em cima de um ônibus e na chuva. Mas não é gritandinho, é GRITANDO mesmo. Mesmo, mesmo. Quase como se a vontade fosse de estourar os ouvidos do maior fofoqueiro do mundo e o desgraçado não ter mais a razão de viver.

O filme é depressivo, e não vi lugar melhor pra escrever sobre. O personagem principal, o cara do Scrubs, Zach Braff, é viciado em lítio e carrega a culpa de ter matado a mãe. A coisa fofa da Natalie, com toda uma filosofia “saia dessa vida e grita comigo o mais alto que você conseguir”, aparece usando fones de ouvidos e escutando the shins.

Me lembrei, então, do compromisso de amanhã. A pessoa que me faz gritar mais alto que o fofoqueiro com o ouvido estourado, os dois amigos da natalie, o schuch no corredor e a luisa em dia de festa, está chegando. A diferença entre uma pessoa que fez e uma que sempre fará diferença na sua vida é clara: a que fez, você não lembrará se ela te ligar dizendo: - oi, que saudade, é a fernanda luise da costa – quem?

Agora, se aquela pessoa, aquela que já compartilhou aquela colocada pra fora de todos agudos do estômago, liga daqui a 15 anos, é só você escutar o

-oi, é o m.- aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah.

- pronto acabou de soltar outro agudo daqueles, hein, amiga!

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Quem se importa com o café da manhã?

Isso de ser âncora não é o meu tipo. Anda como quem nem se importa, fala como quem nem se importa. Isso de abraçar a vida e sair dando mil rodopios até deus gritar “ei, você está com os dois pés fora do chão e eu vou te soltar!” nunca aconteceu com ele. Sempre erra nas escolhas “pão com requeijão ou nutella?”. O requeijão sempre tá estragado. E quando escolhe a nutella, ela simplesmente não existe. Ou escolhe os dois, porque na pressa não consegue pensar direito “pronto, vou passar os dois”. Cagada. O sabor fica nojento, asqueroso, e o pote de nutella nem abre com medo de perder o gosto supremo de ferrero rocher.

Mas, sem dizer oi, um dia apareceu geléia de uva na geladeira. Sim, aquela que os alemães comem com nata e leite bem gelado. A embalagem era redonda, muitas curvas para não escorregar da mão, quase como esses shampoos profissionais chiquérrimos. Na tampa do vidrinho com a tampa dourada estava escrito “a melhorrrr geléia do mun-do” e, logo abaixo da marca, “se não for a escolha mais maravilhosa que você já comeu na vida, devolvemos o seu dinheiro”.

Ele ficou desesperado, sem reação. “Como assim, não, não, NÃO PODE SER!

Tudo o que aprendeu, com as 128738274846 regras do capitão Alceu, seu pai, professor, nutricionista e patrocinador até os dias atuais, desde mil novecentos e guaraná com rolha, é que o melhor café-da-manhã com café é pão com nutella. Como aquela coisa roxa foi parar na geladeira?

Continuou com a porta aberta, como quem nem se importa, como quem nem sabe escolher, como quem só quer pensar. Chorou. “Não sei o que fazer, não sei trair meus princípios.”

O auto-conhecimento, portanto, é complicado. Ele sabe que sempre amarela, que tá cansado da nutella. Só o fato de pensar que a geléia pode, mesmo que por dois minutos, ser a coisa mais maravilhosa que já passou pela sua vida. É muito desafio para uma manhã só. Fechou a geladeira.

Olhou para a mesa, a toalha branca, seu pai sentado, dois pratos, duas xícaras com café, uma cesta de pães e ela, a nutella, o gosto preferido pela maioria.

Nunca dentro da geladeira, ela é quente e saborosa. À príncipio, é a melhor coisa que você já comeu, mas custa caro. A geléia é barata, mas quem se importa? Ele não liga, mesmo sabendo que está enjoado do gosto doce e superficial do chocolate. Podia ser geléia de uva, mas como eu já disse, ele anda como quem não se importa, ele se esforça como quem não se importa, ele não se esforça e não se importa. Mas sonha com a tampa dourada, pode ter certeza.



What a Wounderful World

Já me disseram que os temas expostos por mim aqui e em outros blogs são repetitivos. Eu até penso concordo, mas acho que me sinto mais à vontade quando falo sobre os comportamentos e relações sociais atentamente observados dia à dia.

Saindo da faculdade em uma quarta-feira calorenta desses últimos dias, eu constatei o quanto o ser humano acomoda-se na rotina cega do cotidiano. Na noite passada eu estava completamente absorto em reflexões sobre os meus relacionamentos e o meu futuro pessoal/ profissional; naquele momento quando tudo se mistura e quase nos precipitamos em mais uma crise de identidade. Confesso que sou extremamente vulnerável a essas. Fui dormir realmente duvidando se eu conseguiria levantar no dia seguinte para encarar uma vida de normalidades e carapaças sociais.

Me impressionei com a naturalidade em meu levantar sonolento para colocar mais dez minutos de “soneca” e depois tomar meu café-da-manhã já pensando nas resoluções que teria que tomar no transcorrer do dia. “E a crise de ontem?” – vocês me perguntariam. Pois é, mas tem um fator constatado por mim depois de alguns perrengues antigos, que agora minha mente já o executa de forma automática: minimizar os problemas e crises para que as tarefas possam ser desempenhadas da forma mais competente possível.

Esse é o ponto onde eu quero chegar. Depois de um dia inteiro de estudos e trabalho, ao retirar meu carro do estacionamento superlotado da faculdade, eu fiquei pensando em quantas pessoas não acumulam – e anulam – frustrações, traumas e angústias ao usar o artifício da rotina excessivamente atribulada que nos impõem todos os dias.

“Não tenho tempo para isso, tenho que ir sempre – e obstinadamente – em busca da minha ascensão social.”

Quando nós chegamos lá, sem mais montes e montanhas a transpassar, observamos furtivamente – com o cantinho do olho sobre o ombro – os problemas que deixamos pra trás e que agora virão se escancarar à nossa frente.

Esse é o nosso Mundo Moderno. Mundo Medíocre. Mundinho Merda.

Pois é…

Todos já passamos por isso acho…

Em breve com uma nova histórinha para vocês!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Nova Participante!

E aí gente? Belezinha? Então... eu obriguei o Kaxopa a me deixar fazer parte do blog, eu disse que queria escrever sobre filmes, livros, músicas, novelas, séries e etc... e aí depois de muita resistência ele deixou! \o/ Agora faço parte do blog! O Kaxopa disse que "esse é um blog de crônicas", portanto, não esperem crônicas de mim, não tenho o mínimo talento para isso.
O meu objetivo é não envergonhar o dono do blog (escrevendo crônicas), por isso resolvi escrever sobre variedades já mencionadas anteriormente.
Bom... eu ia escrever sobre algum filme que eu havia visto recentemente, porém agora estou assitindo ao jogo do São Paulo, então não será possível. \o/ rumo à liderança gente!!
O segundo tempo começou galera!!! :)
Até mais!

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Pergunta

Uma certa pessoa, bem pequena aliás, pediu para entrar no blog e colocar resenhas e críticas de arte.

Será?
Isso aqui ta crescendo e ficando chic demais...
Não to gostando muito.

Prefiro um bar calmo que um apinhado de gente, os garçons atendem mais rápido e ninguém reclama do cheiro de cigarro...

Outra coisa:
Não queriam mudar o nome? Sugestões porra!
Bando de inúteis.

domingo, 25 de outubro de 2009

Que seja doce

Por algum motivo, seja tarde da noite ou esteja eu alcoolizado, e, verdade seja dita, muitas vezes um está acompanhado do outro – hoje é uma pequena exceção – eu me sinto um tanto lírico. Sei lá, alguma coisa me influencia, mas começo a falar bobagens com linguajar rebuscado. Estranho, muito estranho.

Hoje por exemplo, entrando no Orkut de madrugada, vendo perfis alheios à toa, à toa -grande Güido – vi o seguinte: “37 dias!”. A autora da mensagem pouco tem com o que lhe coloquei nos seus recados:

Não faça essa contagem, por favor!
Deixa-me depressivo...”

Provavelmente ela não vai entender e não a culpo, foi só um desabafo pessoal, dirigido a qualquer um que o leia, tanto que o coloco aqui. Talvez alguém lendo saiba, talvez somente uma pessoa saiba. O fato é: não quero pensar nisso, não quero saber quanto tempo falta, quantos dias, horas ou minutos, dezembro chega galopante e com ele a volta dos meus textos depressivos – sim Cacau, eu disse, eles vão voltar.

Por isso também estou apenas pedindo, suplicando na verdade, que seja doce.

Que seja doce.

Que não seja apenas uma estrela cadente.

Que seja doce.

Que não seja levado pela distância.

Que seja doce.

Que volte e continue como é.

Que seja doce.

Não vou colocar uma fita em árvore alguma, acredito no que é, no que foi e tenho fé no que será.

Que seja mais doce do que já é.

sábado, 24 de outubro de 2009

Então, que seja doce

Mesmo viajando, ainda tenho a sensação de ser a pessoa que mais sente saudade no mundo. Sou tipo a Maria, deixo as migalhas por aí, esqueço delas. Na verdade, não esqueço, eu sinto saudade. E isso se repete desde os animais, tipo a pantufa, a gata do papai, e os peixinhos do oceanário de Lisboa, até o próprio papai. Sinto falta do barulho da igreja de São Pelegrino em Caxias do Sul. Até disso.

Mais que tudo, tem aquela arvorezinha que você faz um pedido em Porto, cinco quadras da Rua da Saudade. Já fiquei um dia inteiro tomando velhotes por ali. Logo perto, pode-se comprar um fitinha no quiosco – “quiosco” é uma palavra em cordobês, mas não sei como é em português – e anota o seu maior desejo. Anotei “que seja doce, que seja doce, que seja doce...” sete vezes, como no texto “Os dragões não conhecem o paraíso”, e, até hoje, porra! até o filha da puta do dia de hoje, não sei o motivo de tanto pensamento positivo. Tem sido bem amargo. Acho que a fitinha escapou, sei lá.


Hollywood

Comprei o livro pela capa emblemática, nome sugestivo e autor conhecido. Não vou nem falar da precinha...

“(...) Tinha cinqüenta e oito anos e ainda tentava ser escritor profissional e vencer na vida apenas com a máquina de escrever. Iniciara esse curioso meio de vida aos cinqüenta anos. Mas não se pode viver sempre escrevendo, e havia muito espaço a preencher. Eu o preenchia com uísque, cerveja e mulheres. Acabei me enchendo da maioria das mulheres e me concentrei no uísque e na cerveja.

Na noite em que isso aconteceu, minha namorada Sarah estava lá em casa. Sarah tinha alguns pontos positivos. Por exemplo, me fazia mudar aos poucos do uísque para o vinho, o que provavelmente significava mais três anos de vida. E eu precisava desses anos extras, porque não escrevia o bastante.”

O livro é Hollywood de Charles Bukowski, um romance quase autobiográfico escrito a partir da experiência do escritor em fazer o argumento do filme Barfly. Ainda não o terminei, na verdade comecei ontem à noite a lê-lo. Se você gosta de uma boa história, alter-egos de personalidades reais (entre eles Coppola, Sartre, Godard e o próprio autor), além de diálogos crus, sem firulas estéticas, esse livro é para você.

Está dada a dica.

Link

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Boa Sorte

É tão bom ver uma aracuã de novo. Ainda mais aqui, em plena área urbana, no pequeno verde perdido no concreto. Dá-me uma esperança, uma faísca de fé que nem tudo está perdido. Avistar uma ave dessas, hoje, deveria ser um bom presságio, assim como ver uma esperança verde, mas - não como essa - um sinal de dinheiro a vista; um sinal, porém, de que algo bom, puro e simples, vai acontecer.

A ave balançava com a brisa no galho de embaúba. Seu canto tosco parecia tentar me chamar, “Estou aqui, trago-te boa sorte”, depois voou. Na hora me levantei e fui dar uma volta. No caminho uma borboleta amarela me cruzou o caminho. Segui-a com os olhos enquanto, no seu frenesi alado, visitava as flores rosadas na copa de uma árvore. Fazia tempo que não me encontrava assim como essas amarelas. Segui meu caminho e encontrei uma pitangueira. Mas não era uma pitangueira normal; copa baixa e larga para alcanças as frutas com as mãos, pitangas grandes e maduras para um deleite, semente pequena e polpa doce para fazer licor, e longe das outras para ser só minha. Acho que é culpa da aracuã, ela deve ter chamado a borboleta para me mostrar o caminho da árvore.

Até agora escrevi - a lápis diga-se - todo esse relato medíocre e sem direção. Você lendo, deve ter se perguntado o porquê. Pois bem, deixo agora de enrolar, vou direto ao ponto.

Não acho que foi sorte encontrar a pitangueira, ela foi apenas um instrumento. Seu gosto e visão não foram importantes, mas seu cheiro... Cada vez que o sentia, lembrava de você, seus cabelos, seu perfume. Eu lembrava que ia vê-la mais tarde e como isso me faz bem. Não foi sorte que a aracuã trouxe como eu pensava antes, mas ainda foi algo puro e simples, como eu esperava: a vontade de ver meu amor.

Nota curta

"Kaxopa, deu de poesias e volta a escrever seus textos depressivos nesse negócio."

Textos depressivos virão, é só esperar.
Agora estou numa fase mais light, preparem-se para a hora do espanto...

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Votação

Ok, a votação acabou e ficou decidido pela mudança de nome...

Sugestões de nome nos comentários, por favor.
Ninguém lê isso aqui mesmo...

sábado, 17 de outubro de 2009

Sebastião

Nas minhas longas quartas-feiras no Parque do Córrego vejo muita coisa, das mais banais às pitorescas. Velhinhos curtindo a melhor idade com passeios vespertinos, jovens moças com suas roupas apertadas dando voltas e voltas, um senhor de barba e cabelo vikings tomando chimarrão enquanto canta uma velha canção, além de, é claro, crianças, muitas crianças. Mas nenhum desses personagens cotidianos realmente faz diferença para mim, suas passagens são - desculpem – passageiras. Um único personagem certa manhã apareceu como quem não queria nada, o atendi como quem não queria nada e por fim passamos a manhã conversando. Seu nome descobri apenas depois, quando estávamos voltando, eu para a Universidade, ele a caminho da escola de sua filha, era Tião.

Meu Deus, que inveja de você, trabalhando nesse escritório lindo”, disse ele gesticulando para o lago. A estatura baixa, a cor marrom com rugas de sol, o cabelo raspado, as roupas simples e a voz mansa, faziam impossível não conversar com ele. “Adoro meu trabalho, sou pedreiro, na verdade trabalho com elétrica, mas o seu mata a pau”, continuou. Papo vai, papo vem, crianças passam, velhinhos também, e a conversa continuava. “Sou do interior, vim para cá fazer História na Federal, mas larguei no segundo semestre para ir até o Uruguai e Argentina de bicicleta”. Que criatura diferente, nunca esperava isso dele quando nos encontramos. “Não quero ficar rico, tendo dinheiro para comer, morar perto da praia e tomar minha Kaiser no final de semana, não passando fome, tá ótimo, tenho pena de quem vive pelo dinheiro”, nessa hora eu já estava adorando o cara. Conversamos mais sobre natureza, história, arte, Florianópolis, RU, mulheres e futebol, talvez não nessa ordem - nem de modo tão linear. Mas quando olhei meu relógio e já eram onze horas tivemos de partir. Um aperto de mão no trevo do Córrego, a, um tanto tardia, apresentação e um “Até logo”. Pronto, Tião se foi, ia começar a trabalhar em Canasvieiras, não teria mais folga, nem manhãs à toa para passar no Parque.

De personagens assim, criaturas de aparições únicas e rápidas, como estrelas cadentes, que salvamos nosso cotidiano da monotonia. Um cara no Básico com quem discuti a vida e obra do João de Barro, ou, como ele o chamava, Barreirinho; um bêbado na saída do Beira-Mar que discursava sobre Frank Zappa; um chapado que tentava filar meu cigarro; um cabeludo que queria saber sobre tarraxas; todos doses únicas de companhia bizarra, mas muito divertidas. Ficam guardados lá na memória, junto com o Tião, em seções especiais, dedicadas ao inesperado e estranho.

Tomara que ele consiga seu dinheiro para a cerveja, mas que não seja Kaiser.

Geniais.

Último dia para votar. Mãe, sei que falta você. Leiam o texto de anucadadisse. Foi o diabo mesmo que me deu um toque.

Aqui jaz a menor nota de rodapé do blog, representando a minha preguiça diária abastecida pelos últimas dias. Só de olhar pra rua e ver tudo cinza de novo dá uma vontade de nada. Deus, eu preciso de melanina.


Quase ia esquecendo: kaxopa, deu de poesias e volta a escrever seus textos depressivos nesse negócio.

Fuck Carpe Diem

Depois de um ano de trabalho, existe aquele flutuar parecido com a hora de embarcar para bem longe. Aqueles dias de sublime alegria, onde até pegar chuva na ida pra casa é gostoso. Tudo isso pode terminar em um passe de mágica, como um soco no estômago que dura cinco minutos, e toda ilusão de estar voando até o hemisfério norte despenca como o avião da TAM e sem poder prever.

Faz algum tempo, fui a uma exposição que tinha dez entradas. A reação dos visitantes nunca era igual. Eu quis tentar os dez caminhos para descobrir se algum deles era especial, mas um casal angolano preferiu começar pelo lado com menos fila. Eles queriam aproveitar o café do andar subterrâneo. Como o meu foco era conhecer todo as obras, e como o costume, poder contar para o Nuno qual delas era A“the” mais bizarra usando os critérios portugueses, fiz o arranjo ou combinação das entradas (tô pedindo demais do meu cérebro), e demorei quatro horas para ver repetidamente as 25 obras de um pintor Espanhol. A obra que deu nome à exposição ficava no centro. Todos os caminhos começavam por ela.

Não adianta reclamar do que eu não vi. Sempre me achando a madura, nunca imagino que o final que eu espero pode não ser o que previ, e caio em velhos truques de estado. É tipo aquelas conversas no msn problemáticas, onde a pessoa fala alguma coisa, você lê com a entonação errada, e cria-se uma inimizade instantânea, como a conversa furada. Não adianta, a primeira obra, ou o começo de tudo pode ser o mesmo, mas a sequencia não se repete.

Então, acreditei na bola de cristal mais uma vez, mesmo avisada pelo meus professores sociólogos: “não podemos prever as relações da sociedade, onde cada célula deve decidir por si”, mas é que, só para mim, o outro não tinha melhor saída do que ficar ao meu lado. E realmente não tinha. Mas quem disse que sempre escolhemos a maçã da Eva? Eu tenho um pote de requeijão e um de nutella. A melhor opção é a nutella, mas no café da manhã, passo o requeijão. Nem sempre escolhemos o mais gostoso.

Mas, acabando a minha divagação sobre as escolhas, é fato que vamos pelo mais fácil. Para nós. Não para o outro. Pra quê tentar? Ir atrás de algo que pode não exisitir? Sacrificar-se por um caminho que pode ter 917497974 outras ruas e ter de nadar em uma piscina desconhecida? Acho que não. Então, restam clichês do Carpe Diem, viagens de fuga, baladas gay e o jornalismo. Mas, por hoje, por amanhã, e talvez depois, eu mereço um café enrolada no cobertor na melhor poltrona da minha sala.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Cacau mode ego.

Tinha desistido no amor até ser fonte de inspiração do desenho mais lindo do mundo. Da mesma maneira que não sei dizer por que me apego às coisas bizarras, não imagino como alguém pode ver só a minha parte mais linda. Tinha que elevar o ego com uma nota de rodapé.
No mais, estou ansiosa pelo próximo conto da Luisa, que foi inspirado na maior saga feminina com os homens e também no meu fim de semana. Só sei o título, e é genial, mas não quero estragar a surpresa.
Beijocacau’s

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Una mujer desnuda y en lo oscuro

por Mario Benedetti

Una mujer desnuda y en lo oscuro
tiene una claridad que nos alumbra
de modo que si ocurre un desconsuelo
un apagon o una noche sin luna
es conveniente y hasta imprescindible
tener a mano una mujer desnuda.

Una mujer desnuda y en lo oscuro
genera un resplendor que da confianza
entonces dominguea el almanaque
vibran en su rincon las telaranas
y los ojos felices y felinos
miran y de mirar nunca se cansan.

Una mujer desnuda y en lo oscuro
es una vocacion para las manos
para los labios es casi un destino
y para el corazon un despilfarro
una mujer desnuda es un enigma
y siempre es una fiesta descifrarlo.

Una mujer desnuda y en lo oscuro
genera una luz propia y nos enciende
el cielo raso se convierte en cielo
y es una gloria no se inocente
una mujer querida o vislumbrada
desbarata por una vez la muerte.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

A tal da perseguição.

Como eu prometi, aqui está o tal do Flâneur. Não ficou lá grande coisa. E eu não tô querendo ser modesta.

Sentei no ônibus tentando lembrar que é melhor não parecer uma perseguição, um trabalho para a faculdade ou uma obrigação. Morar perto da faculdade criou a rotina de ir aos lugares à pé, e bateu uma saudade da época do ônibus. O UFSC semi-direto não tinha a molinha dessa vez, e pela cara que fez a menina ao entrar, era a exatamente a sanfoninha que estava procurando. Como se fosse uma surpresa, ela esperou encontrar a sanfona dentro do ônibus, sem saber que a mola já pode ser vista do lado de fora. A garotinha de seis, sete, ou talvez oito anos – sou péssima em decifrar a idade das pessoas – estava com o cabelo preso em um rabo de cavalo quase tão alto quanto o da xuxa e dois tic-tacs cor-de-rosa ao lado da cabeça, segurando os fiozinhos soltos. Ela tinha a sombrancelha rala, recompensada pelos olhos azuis e grandes, provavelmente vindos do pai, já que a mãe, que a acompanhava, tinha os olhos escuros.
Estava chovendo, e mesmo assim a garotinha estava com os tênis limpinhos, prova que a mãe a carregou no colo, assim como fazia coma mochila da Moranguinho que tinha a etiqueta com o nome Rafaela. Sentaram-se na terceira fila à esquerda após o cobrador e em silêncio. A mãe esperou a menina se sentar em frente à janela, que logo se apoiou e olhou o movimento. Ao chegar, a mãe levantou com um sorriso para a menina, que ajeitou o vestidinho estampado com com pequenas ondinhas cor-de-rosa, combinando com os grampos. Estavam no Centro do comércio, e era sexta-feira, véspera de feriado de dia das crianças.

Desceram do ônibus de mãos dadas, a mãe carregava a bolsa, um guarda-chuva, uma jaqueta preta e um casaquinho violeta. A menina agora estava com a mochila ocupando metade do seu tamanho. A mãe caminhava devagarzinho pra compensar os passos curtos da companheira, que não parecia empolgada com o lugar, estava mais preocupada em pisar nas bolinhas do caminho para os cegos. Pararam em uma quitanda do terminal integrado do centro e pediram um cartão para celular, que a mãe guardou na bolsa. Atravessaram a catraca, onde a menina foi erguida ao passar, esperaram a contagem regressiva do semáforo entre o TICEN e o camelô, atravessaram e rua e a via que separa os ônibus da gritaria do mercado.
Elas chegaram ao zigue-zague do camelô e caminharam entre as estandes. Primeiro, no box com bolsas, óculos, relógios, lenços e ursos de pelúcia viram um desses animais de pelúcia, um grande e azul, que não consegui decifrar se era um animal, um et ou uma pessoa. A cara de animação da mãe, que já devia ter pesquisado o preço, era menor do que a da filha, que curiosamente não gritou pelo presente. Pararam em um segundo box idêntico e em mais três, viram bolas de futebol, quebra-cabeças e mais ursos. A reação era sempre a mesma: ou a mãe se empolgava e tentava convencer a filha, ou a filha se empolgada e nem sequer tentava convencer. Entraram no novo camelô, aquele dentro do mercado público, e passaram por toda a parte de calçados, até chegar a uma loja de brinquedos. A mãe não andava mais tão pausadamente e a menina tinha que dar três passos para alcançá-la. Ali estava. Uma Lilo bem grande, a personagem havaiana do desenho da Disney. A menina gostou, o bolso da mamãe também, pelos sorrisos estampados.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Flâneur

Minha professora de Estética e Cultura de Massa pediu uma tarefa bem conceitual. Um flâneur. Com o meu máximo de experiência estética baseado na agenda do Salvador Dalí, fui desafiada a escrever uma crônica no estilo do O homem na multidão de Allan Poe em menos de uma semana. Para os desavisados, o texto é a descrição de um personagem no qual o autor seguiu. E a tarefa é essa: seguir alguém.

A professora, quase sóbria, disse que devemos caminhar com a cabeça em extrema concentração, sem pensar nos trabalhos acadêmicos, na conta do banco ou em sexo. Devemos observar cada detalhe, gesto, palavra sem que a pessoa nos veja, anotando os ambientes e imaginando a vida alheia. Em seqüência, deveríamos escrever uma crônica.

Descobri o paradoxo! Como fazer isso sem pensar que tenho que fazê-lo. Se a professora quer o sublime do ócio, não deveria pedir a perseguição como um trabalho acadêmico. Andei atrás de três caras, matei aula de redação, mas não consegui fazer sem pensar no trabalhinho como sendo com data marcada. Anotei ruas, cores, nomes, encarei várias vezes as vítimas. Não escrevi a crônica, mas hoje tenho minha última chance. Amanhã posto aqui.

Enquete

Pronto, fiz uma enquete para saber se mudamos o nome...

Só digo que o resultado da votação não influenciará na minha decisão.
Vai estar aberta para votação até a meia noite do dia 19/10/09.

Aproveitem!

Abracetas,
a Direção.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Manifesto.

Incrível como o poder é cara-de-pau. Eu e o Léo somos dois terços e nem sequer fazemos parte do título Pantano do Troll!
Fico com vergonha de divulgar o blog, já que não sou proprietária dos meus bens de produção e escrevo textos sentimentais (quase idiotas), onde o capital simbólico é propriedade do nome que governa o blog. Ele que contrata e demite produtores sem questionamento democrático. Sim, Léo, temos que fugir da alienação da nossa classe escritora e produzir pra si, abraçando a campanha "Pantando do Troll também é nosso" com um nome que representa os três. A Revolução começa quando descobrir como mecher nessa merda e montar uma enquete pro universo que a lê : minha mãe, dois bocós, eu, kaxopa e léo. Falta mais alguém pra fazer melhor de sete e decidir o novo nome.

Prefiro não argumentar com relação à frequencia com que posto, porque aí fudeu.

Ei, você mesmo!

A parte feminina do blog, quase sempre, claro, está em greve. Não daqui, mas da vida. Quem me conhece sabe que faço coisas e reclamo na mesma intensidade que as executo. Mas ninguém me conhece como o homeageado(a). E não vou dizer o nome, quero dar a chance de ele(a) se descobrir no texto.

Bom, pela segunda vez um texto direcionado e, para os curiosos de plantão, o primeiro foi o “Sem título para ele” em abril. Depois do Pedro, meu grande amigo do colégio, poucas foram as pessoas que guardei. Como diria o poeta Pedro Bial “entenda que amigos vem e vão, mas nunca abra mão de uns poucos e bons”e, por mais brega que seja, é verdade. Porém, nada como redimir-se com a parte dos poucos e bons, preenchida quase integralmente pela Thata, que sempre o fez com muita competência e lembrada por aqui.

O problema (ou não) é que preciso de um homem-amigo. Voltando a falar de mim, e agora todos já sabem que sou particularmente egocêntrica (não egoísta, ok), tenho um lado muito homem. Sem explicar essa parte, que mesmo máscula é charmosa, eu a escondo a sete chaves, só mostrando em horas de extrema carência com todo um contexto envolvente, mais uma série de circunstâncias, mais uma série de nhenhenhês.

Não é pra ficar com medo. Duas cabeças acabaram me fuçando por completo e, pode acreditar, continuam me amando, acho. Uma delas é a que eu não posso pronunciar, senão o charme do texto (que quase não existe) vai sumir. Essa minha parte cruel foi aberta, pra não usar a palavra “esgaçada”, com pequenos papos, que logo viraram médios e, em sequência, longos, na sacada, ou com vinho, ou com cerveja, ou com cigarro, ou com os três.

Nem sempre na sacada, esses momentos aconteciam em qualquer chão entre os bairros trindade, pantanal, serrinha, carvoeira e córrego. Se quiser saber onde era o nosso esconderijo, vá até a maior concentração de filtros de cigarro no chão e, pronto!, descobriu nosso lugarzinho. A distância me fez parar de fumar, além do meu pulmão gritando “meu deus, me ajuda” e da falta de dinheiro, claro, que é quase sempre o que faz o ser humano mudar. E eu não estou generalizando.

Sinto é muita falta de me irritar com alguém invadindo a minha mania de independência. Aquele ronco noturno que me acordava, mesmo eu colocando o colchão no quarto ao lado, sim, até daquele barulho péssimo eu sinto falta. O fato é que amizades vem e vão, mas o meu tempo é curto. E, como sou egocêntrica, e óbvio, eu contei isso por algum motivo, eu prefiro guardar os meus segundinhos livres ou para sexo, ou para necessidades fisiológicas, ou para escrever nisso aqui. Nunca os três ao mesmo tempo, claro.

Tenho que dizer que todos os filmes, todas as músicas, todos os cigarros foram fodas com ele(a). As voltas de carro, os tchauzinhos no vidro, os carinhos inesperados, os choros de bêbada, os tapas, as grosserias, os churrascos, os vinhos, os roncos, as risadas, os R.U.s, os bafões que não eram seus, os bafões que não eram meus, as dicas de redação, as conversas de 5 min, as conversas de 3 horas, os bares, a cantina, as briguinhas de ex, as briguinhas de atuais, os segredos, os abraços, os cafés de manhã. A nossa amizade. Tudo isso e, especialmente o último tópico que agrupa o todo, é indiscutivelmente adorável. E, especialmente esse último tópico, guardo no coração. Como ele(a) sabe, meu coração muitas vezes é de pedra, mas hoje e sempre, por ele(a), é um coração que ama o seu amigo.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

The Bucket List

Dois homens com câncer terminal decidem viajar pelo mundo juntos, realizando os últimos desejos de suas vidas. Dirigido por Rob Reiner (Questão de Honra) e com Jack Nicholson, Morgan Freeman e Sean Hayes no elenco.

As luzes da cidade passam rápido pela minha janela enquanto dirijo em velocidade moderada meu carro novo: um Toyota Fielder automático, adquirido no mês passado. Estou chegando de mais um dia de trabalho produtivo como diretor-geral de uma grande companhia especializada em TI com sede no Vale do Silíco, na Califórnia. No meu iPhone, havia algumas mensagens de textos ainda não lidas de uma linda mulher que beijei no feriado passado, em uma festa particular pela Baía Norte no iate de alguns clientes da empresa.

Na esquina do prédio onde moro, na Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos, passo por algumas garotas de não mais que vinte anos de idade, elas me parecem como modelos indo desfilar na boate que fica ao lado do meu prédio, com a mesma melancolia no olhar disfarçado pelas maquiagens caras e o branqueamento nos dentes. As garotas reparam em mim, ou no meu carro, ou em ambos; não me importo.

Na entrada da garagem, meu iPhone acende e interrompe a música da banda Diablo Swing Orchestra que tocava em alto volume no sistema de som potente. Eu atendo com o Bluetooth da Fielder: era um rapaz que estava também no passeio de iate, me convidando para um camarote na boate ao lado, de onde saem garotos bêbados às três da manhã que empesteiam o jardim externo do meu prédio urinando sem o menor pudor – Não, obrigado. Já disse em alguma reunião de condomínio que deveríamos tirar fotos noturnas dos nossos mais frequentes “mijadores” e expô-las numa exposição pública em frente à boate; cacife pra isso nós temos.

Passo ao elevador, o porteiro me cumprimenta ao longe, respondo com um leve movimento de cabeça. Pressiono o botão de número 12, sou o único morador do condomínio que vai até este andar. O elevador se abre e o corredor já faz parte do meu apartamento, com peças da última exposição Casanova – elas estão a cada ano mais medíocres – penso ao destrancar a porta dupla do apartamento. Lá de cima, pelo uso excessivo de vidros constantemente limpos em razão da maresia do mar a frente, consigo observar praticamente todo o bairro. No meu nível eu conto apenas mais um ou dois apartamentos de prédios à direita.

Sincronizo meu iPhone ao sistema de som do apartamento, rapidamente todo o aambiente se enche com “Memoirs of a Roadkill”, da mesma banda que escutava ao ser interrompido pelo interesseiro. Acabo de abrir a garrafa do whisky 20 anos que eu ganhei ao ser promovido na empresa. Nunca gostei desses destilados, mas esta noite é especial.

Desde criança tracei planos para meu futuro, quando li a história de Paulo Coelho, que já aos 7 anos o prodígio projetava meios de “como ser o melhor escritor do mundo”, identifiquei-me prontamente. Na minha lista o último item sempre foi: Morte. O checklist já estava completo, só sobrara a derradeira. Portanto, nada mais natural que, em toda uma vida baseada em planejamento e execução, eu atinga mais essa meta. Isso mesmo, meta: morrer.

Ah, o vento no rosto, esse cheiro de maresia de que sempre gostei, o céu é realmente maravilhoso aqui de cima. O copo do destilado já está no fim, lá embaixo eu vejo pessoas basicamente uniformizadas entrando na fábrica das fantasias – será que eles não cansam de realizar a mesma tarefa mecânica de todos os dias?

Caio.

Ao menos essa noite não haverá aqueles mijões no jardim do prédio.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Poema #1

Eu não ia postar esse poema patético, mas como o Léo quer ser colaborador...

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Poema #1

Nunca fui um bom poeta.
Não sou bom com métrica,
Nem com rima ou estética.

Por isso não martirizo,
A vós com meu delírio.
Apenas peço,
Com digno juízo,
Que não passes batido
Por esse verso
Tão mal escrito.

Roubo, pois, de um amigo
Sem pedir, já aviso,
Seu verso melhor escrito

“Aluga-se um Canto
Vista para o Atlântico
Romântico, Semântico
Lambdas completos
Em ondas de amores Honestos,
Incertos, Repletos"

Em momento incerto,
Talvez até repleto,
Quem sabe honesto,
Ele estará ditoso,
Ou rindo de gozo,
Pelo furto escroto
Deste poeta lastimoso.

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PS: O #1 é meramente ilustrativo, provavelmente será o único.


sábado, 26 de setembro de 2009

Não é ficção, linda.

Levantava escutando Roberto Carlos só por lembrar o Brasil. A rotina era menos apegada com frescuras femininas, amizades superficiais e cheiros novos pra saciar a falta de novidade. Vinte minutos sentindo o quentinho da cama e aquela sensação de mil graus negativos do pescoço pra cima. Com uma mexida geral, tirava o cobertor, corria até o banheiro sentindo o chão frio, e “estava a gritar”: alguém em caaaaaaasa? Não tirava a charmosa camiseta/ vestido por quem viria depois, escovava os dentes pensando “sim, não tem ninguém em casa, sim, sim, sim, sim...”. Cafézinho. E então ouve o barulho do elevador e atravessa o apartamento do banheiro até a porta em segundos.

- Pra onde vamos hoje? - Eu decido?, sou péssima nisso, você sabe. - Mas como eu vou decidir, a extrangeira é você. - Mas quem conhece os lugares é você. - Decidimos na neve.

Já em casa, custo a encontrar alguém tão meu. O ventinho gelado pela fresta da sua janela, o carinho na nuca e o segredo de saber pra onde ele estava me levando. Saio com um conquistador, um maníaco-depressivo, dois nerds e aquele ex-namorado bundão, lógico que loucamente apaixonado pelo fato de não ser mais dele. Todos não sabem demonstrar o que sentem com um gesto. Erro todo meu. Sempre buscando a liberdade daqueles momentos, quando ele tirava minha blusa e eu nem notava. É o total desprendimento de expressão, onde podíamos ficar juntos o quando fosse necessário. E tudo começava na corrida até a porta atravessando o apartamento, pulando e grudando meu quadril no seu, com as duas pernas na sua cintura. E isso não é ficção.

"Na sua varanda sem céu, certa vez, você se sentou naquela cadeira sem fundo. Me colocou no seu colo e me deu o abraço que disparava corações em mim como se eu tivesse um em cada nó de veia. E me disse, com sua voz tão bonita, a mais bonita que eu já ouvi, que eu tinha subido todos os seus andares. Eu entendi que você era o homem da cobertura de aço e eu uma espécie rara de passarinho que tinha algum tipo de chave que se autodestruiria em poucos segundos. E eu entendi também que agora que tinha chegado ali, só me restava pular, já que ninguém aguenta o alto tão alto muito tempo."

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Primavera

Os ramos estão carregados de doces amoras roxas, os cinamomos pintados de lilás com suas pequenas flores e as amendoeiras voltam a exibir suas folhas, aquelas belas folhas largas, amigas de todos os botecos com mesas na rua. Tangerinas cheias de abelhas de zunidos e vibrações, preparando as frutas para a estação, lagartas saindo de seus casulos como borboletas azuis, amarelas ou laranjas, pousando nos jardins, enfeitiçando crianças.
É, a primavera chegou. Chegou, mas ainda não botou os pés para dentro da porta. Nessa nossa linda ilha sem estações definidas, apenas verão e quase-inverno, esse ainda dá adeus com frenéticas rajadas de vento “suli”, que aproximam amantes e esvoaçam cabelos. “A primavera foi adiada por razões de mau tempo” diz meu professor, mas não, ela - como mulher - não se entrega tão facilmente, vai se mostrando aos poucos, revelando-se aos pedaços até a hora derradeira.
A chuva aumenta, mas os dias aquecem e o sol é mais brilhante, chega de abraços e beijos dentro dos carros, agora se pode estender toalhas no gramado para a sesta, esteja você na Universidade ou no Parque do Córrego. Ver o anoitecer na Lagoa da Conceição sem morrer de frio, tomar aquela gelada ao ar livre sem alguém reclamar que “está muito frio para tomar cerveja”. Agraciados, porém, somos nós moradores do continente, que vemos todos os dias a Ponte Hercílio Luz entre as águas brilhantes e o céu azul e branco primaveril.
Mas agora chega de pensamentos estacionais. Tenho que estudar; infelizmente não sou pago para divagar. Quem sabe um dia... Quem sabe...

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Pregos

Porque sempre é um dia de chuva? Ao menos vai estar vazio, lugar para estacionar e calma para visitar. Faz meses que não o visito, mas a memória ainda está clara. Toda a família reunida, conhecidos, até políticos; ele com sua calma serena e a roupa da ordenação a diácono. Venho de uma família extremamente católica, daquelas que participam de todos os bingos, reuniões paroquiais, pagam o dízimo e tem banco cativo nas missas de domingo. Tenho um tio padre e minha avó sempre tentou me empurrar a profissão, não tenho a vocação, sou muito contestador. É isso, porém, que a Igreja precisa agora, mas já decidi meu caminho.

Passo os portões de aço, estava tudo vazio como esperado. Estaciono o carro o mais próximo possível. Com cuidado com as poças, salto do automóvel e abro o guarda-chuva. Gosto de vir sozinho, apesar da situação, é um bom lugar para meditar - mas se vier no verão, traga repelente, os borrachudos são terríveis. Caminho pelo gramado com cuidado e respeito, procurando pelo lugar certo. As flores de plástico em alguns túmulos dão um ar mais mórbido ao já funesto; as considero piores que as secas. Por mais imóvel que pareça, os pássaros dão vida, se esta expressão for possível, ao ambiente.

Mais alguns metros, estou chegando. Encontro um tio, grande figura pelo que dizem, nunca o conheci direito. Vejo-o somente em fotos amareladas, sempre o reconheço pelo seu vasto bigode. Mas não era ele que vim ver. No lado esquerdo está meu avô. A lápide ainda nova, limpa por minha tia na quarta-feira, e os lírios brancos deixam tudo um pouco mais belo, na medida do possível. Leio o epitáfio, “Dai graças ao Senhor porque Ele é bom, eterna é sua misericórdia”, lema de sua ordenação. Seguro as lágrimas, não quero chorar mais.

Meu avô morreu de câncer no pulmão. Não propriamente do câncer, mas por complicações na cirurgia para sua retirada. Maldito hábito esse de fumar. Uma válvula de escape que parece ótima, mas se torna um pesadelo. Tanto que, apesar da causa do falecimento, o número de cigarros fumados na família só aumentou. Cada cigarro é mais um prego no caixão. Sempre me disseram isso... Ah, a estupidez humana.

Encerro minhas orações, olho mais uma vez o nome de meu avô e despejo a última lágrima. Volto para o carro, mas no caminho acendo um cigarro.

domingo, 13 de setembro de 2009

É ficção, linda.

Talvez tenhamos que esperar alguns anos para nos reencontrar. Tudo bem, eu entendo. A gente se ama até lá. Me espera mesmo? Uhum. Ainda tens aquele gato cinza? Tenho, tenho você também. Me achas frágil? Eu tomo cuidado. Cuida de mim? Esquece aquele dia lá que eu disse que você tem que parar de cuidar mim, cuida? Nem digo isso só pra dizer que te preciso, é mais pelos anos que estão a frente e nos aguardam. Eu te aguardo. Você é lindo, eu amo você. Me fotografa, eu tiro a roupa pra você. Me deseja, eu deixo as vergonhas de lado agora. Olha pra mim. Pega os meus remédios, tá na hora de tomar. Marca minha terapia. Te levo na depilação. Não vou achar alguém tão culto, especial e bonito assim além de você. Ri alto pra mim, me deixa desesperada enquanto estou longe de ti.
Me faz te desejar a cada segundo como se te desejar fosse resolver todos meus problemas, me faz acreditar nisso. Faz parte do meu drama, encena comigo a nossa morte, desesperados, loucos. Fica bêbado comigo pela noite, faz sexo comigo. Me deixa estarrada na cama enquanto buscas o isqueiro, depois de fazermos sexo. Deseja o meu sexo, sem precedentes. Deseja meus seios, põe a boca neles. Deseja minhas mãos, passa elas pelo teu corpo. Me passa pelo teu corpo. Faz amor comigo ainda de roupa, só abre o zíper. Fala bastante depois disso tudo, pois não canso de te ouvir falar. Ri comigo sob o lençol, só com a luzinha no canto acesa, aquele abajur no canto do quarto. Não me deixa. Não te deixo. Me espera? Espero. Te amo. Eu também.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Olhos

Tenho um sentimento não patriótico quando falamos de mulher. A preferência nacional, não é segredo, são as bundas, as divinas bundas tupiniquins. Como todo brasileiro, não nego, reverencio as ancas nacionais, belas formas esculpidas pelos flertes europeu-africanos em quinhentos anos de convivência. Mas a primeira coisa que admiro nessas elegantes criaturas são os olhos. Lindos olhos, azuis, verdes, mel, castanhos, com seus raios únicos de cores amareladas ou escuras, dando vida à monótona monocroma pupilar.

Ainda lembro-me dos olhos de muitas, que há muito não vejo. Os olhos verde-água perdidos em outra cidade, que me exigiam paciência, mas recompensavam com uma das maiores amizades que já tive. Os que sentavam à minha frente no terceiro ano; azuis-claros lindos, perfeitos, como uma lagoa em dia de calmaria. Pouco me importava a dona, nada tínhamos em comum, pero seus olhos traziam uma sensação diferente de beleza, gravada em minha memória. Outra tem olhos negros, que parecem tentar camuflar o ímpeto que está escondido por dentro numa doçura magnífica, fazendo com que eu não consiga parar de fitá-los.

A primeira vez que não me senti sozinho nessa fixação foi ao ler Dom Casmurro. Os famosos olhos de ressaca de Capitu, olhar que “trazia não sei que fluído misterioso e energético, uma força que arrastava para dentro, como a vaga que se retira da praia, nos dias de ressaca.” Esses orbes malditos que me prendem num estranho êxtase, num fascínio perigoso. Amo-os, mas os odeio. A parte mais bela da face feminina, por vezes a única, criados por Deus, corrompidos pelo Diabo e muita vez mais perigosos que suas bocas. Janelas embriagantes da alma, oásis perdidos ou miragens, os divinos olhos tupiniquins.

terça-feira, 11 de agosto de 2009

How Blue?

Entregue à poeira, eis a situação. Não só do blog, mas de várias outras coisas, especialmente repartições públicas e certos departamentos da UFSC. Mas isso não vem ao caso.

Sabe quando está sem chover na cidade há dias e o calor é infernal? Você vê aquelas nuvens pesadas de chuva no além-mar, perdidas no horizonte, mas elas nunca chegam para te salvar dos dias cálidos? Pois bem, a inspiração para escrever – que nunca foi muita, deve-se dizer – está assim também, perdida à deriva depois da rebentação, longe demais para ser tocada e resgatada.

Alguém certa vez disse que para ser um bom músico, mas acho que essa idéia engloba outros artistas, a primeira coisa necessária é estar triste, miserável, feelin’ blue, no fundo do poço e da garrafa. Sentado, desolado e alcoolizado, depois das três da manhã ao balcão de um bar vazio, sabe? Pelo menos essa é a minha idealização de feelin’ blue; alguns dirão que é sentar em um banco vazio de um parque, escutar country ou chorar na cama. Cada um sabe o jeito de amplificar ao máximo sua depressão, porém, segundo Charlie Brown, você nunca deve ficar ereto e olhar para cima.

Acho que preciso arranjar sarna para me coçar. Qualquer uma serve, mas não me venha com Sarcoptes scabiei.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Silêncio

Alguns diálogos bastam para explicar alguma situação. Quando a gente é surpreendido, não por falta de aviso, mas por confiança, não se tem muito o que dizer. Na maioria das vezes o silêncio combina mais que o dialogo. Alguém sempre se machuca com palavras. Mas nunca pensamos antes, as flechas são disparadas antes do sinal. E quando acertam, machucam feio. O coração é o de menos, quando acertam o ego é pior.


“Limpa esse veneno da tua boca, não combina com você.”

“Não precisa falar assim.”

“Era isso?”

Silêncio.

“Então, tchau.”

“Espera, volta aqui.”

Silêncio.


Algumas ações também bastam para explicar uma situação. Um beijo no rosto quando se espera uma boca. Um aperto de mão, um abraço, um adeus. Machucam tanto quanto palavras, porém são mais desconfortáveis que o silêncio. Um tapa, um soco, um olhar, uma tragada, seguir adiante. Tudo se resume a ações, diálogos, silêncio. Não nessa ordem, talvez.


“Adeus.”

terça-feira, 14 de julho de 2009

Manual de Instruções

Todos que se aventuram por caminhos tortuosos e imprevisíveis precisamos de alguns itens essenciais. Um deles é o estepe. Mas como qualquer item de emergência, é preciso saber usá-lo, com todos os devidos cuidados para que ele não te deixe mais na mão (use o sentido mais literal possível) do que você já está.

Um bom estepe tem data de validade. Você precisa sempre conferir o estado dele para ver se ainda tem as características que você precisa. Se passar a validade, não tenha medo de trocá-lo, mas escolha sempre um bom, estepes de má qualidade são comuns e geralmente não funcionam bem, emperram, acham que são originais de fábrica e você só se incomoda.

Outra coisa, sempre calibre o estepe a cada trimestre. Abandoná-lo no porta-malas a escuridão o faz murchar, sem interesse em te ajudar. Manutenção sempre é importante, é o segredo de qualquer mecanismo de emergência.

No geral, você precisa cuidar do seu estepe, mas sem esquecer qual o lugar e função dele, para não complicar as coisas. Revezamento de pneus nunca dá muito certo, mais vale comprar dois carros.

Próximo capítulo, manual de instruções da carta curinga.

***

Carta Curinga, aquela que você guarda para o momento certo. Você sabe que ela tem todas as vantagens das outras cartas, que pode ser um As, um rei, ou um 4. Pode estar sempre disposta a trabalhar. Ajudar nas jogadas com outras cartas, e todos os jogadores querem ter uma. Deve-se ter muito cuidado para não permanecer muito tempo com uma carta curinga, porque apesar das mil e uma utilidades, você pode acabar só com ela na mão. Então, na hora certa, pense estratégicamente no jogo, afinal, mais vale um passarinho na mão do que dois voando, e é hora de usá-la. Mas cuidado, se não souber pensar bem com o Joker, ele pode acabar com o seu jogo. Guardar bem as cartas pode criar uma necessidade de sempre tê-las em mãos, mas nem sempre elas continuarão por ali. FIKDIK.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

Minha vez

Está na hora do elemento masculino do blog postar sobre futebol. O que melhor que a final da Copa das Confederações?

Os investidores do soccer norte-americano estavam esperando essa hora desde a Copa de 94, quando investiram milhões para popularizar a bola redonda na terra do Tio Sam. Nem Beckham ou Pelé conseguiram empurrar os destemidos yankees para frente no futebol jogado com os pés, somente um título semi-importante como esse poderia realizar o feito. Com a zebra magnífica, desclassificado a favorita Espanha, Hollywood se interessou na história, mobilizando milhões de dólares para uma super promoção de cinema contando a incrível história de um time pequeno que, com raça e determinação dos seus antepassados peregrinos, bateu as melhores seleções do mundo chegando a final e, as God as our witness, chegaria ao título em uma batalha digna de Davi e Golias, é claro que estamos de US and A!

Dito e feito, os yankees ficaram motivados, ainda mais depois das tentadoras ofertas hollywoodianas. O técnico Bob Bradley seria interpretado por, obviamente, Tom Hanks; o atacante Altidore pelo genial Michael Clarke Duncan (À Espera de um Milagre); o craque do time, Landon Donovan por Christian Bale (Batman Beggins). Rumores diziam que Will Smith faria uma participação especial como Barack Obama mandando uma mensagem de “Yes we can!” para os jogadores no vestiário. O time americano veio para cima e, com o espírito Rocky Balboa de superação, abriram o marcador no primeiro tempo. Será que finalmente os EUA teriam sua grande chance no footsoccer? Nem mesmo Zina (“Ronaldo! Brilha muito no Cúrintia”) previa esse resultado.

Mas ai acabou o primeiro tempo. O repórter Mauro Naves confessou nos microfones da Rede Globo sua preocupação com a saúde física do técnico Dunga, “A veia do pescoço dele está mais saltada que o normal”. Nos vestiário o comandante brasileiro mostrou porque era o capitão do tetra. Com uma mijada soberba, gritos na orelha do canela-fina Ramirez e um chimarrão feito com carinho por Paulo Paixão, Dunga motivou o time. O Brasil voltou para o segundo tempo ainda pingando, mas inspirado.

Contentes com a vantagem, os norte-americanos voltaram tranqüilos ao campo. Mas não contavam com a nossa astúcia; Luis Fabiano mostra o poder de reação que só um ex-malaco encrenqueiro pode ter e marca dois gols empatando a partida. Parecia que o jogo ia para a prorrogação, os trinta minutos mais agonizantes do mundo esportivo, mas ainda existia um outro guerreiro em campo. Da zaga surge a face do herói, com a fúria estampada na fronte, Lucimar, o Lúcio, surge voando no meio da área americana e cabeceia o gol da vitória. Em lágrimas de alegria ele corre para o abraço! Os produtores executivos da Universal Studios não acreditavam no que viam, um potencial blockbuster escorria por entre seus dedos. Agora teriam que voltar sua atenção para o filme em homenagem a Michael Jackson, “Moonwalking with children”.

Mas a verdadeira motivação de Lúcio ninguém sabia. Se mostrar útil ao Bayern Munich? Amor a pátria? Que nada, ele queria é ser interpretado por Clive Owen.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Mais um sonho

Depois de uma tarde ociosa, tirou o atraso dos livros que tanto queria ler. Página, olho por cima do livro, dedo na língua, página. Cansada da solidão e da visita regular dos mesmos, queria ficar um pouco sozinha. Já era autosuficiente e sentia-se feliz aconchegada no sofá com dois cobertores. O pijama rosa bebê, que havia ganhado da sua mãe no inverno de 2005 - o mais frio de todos - continuava muito útil. Alguns passos até a cozinha, lendo e caminhando, foi servir o café e, sem nunca imaginar, tocou a campainha."Que saco, quem será?" Quando me sinto sozinha ninguém toca por aqui." As opções eram poucas: ela havia matado o trabalho de sexta-feira e o namorado estava na faculdade - o relacionamento já era broxa o suficiente para não acreditar qualquer surpresa. Sem o olho mágico tudo fica difícil. Perguntou "Quem é?" Sem resposta. "Quem é?" De novo. Deitou-se para olhar por debaixo da porta e ver uma sombra. Dois sapatos surrados. "De quem serão esses sapatos?!" Falou "Já vi os seus sapatos, diga quem és!". Por um segundo imaginou que poderia ser o porteiro surdo. Não, não. E o tarado da construção?! É, melhor não abrir. Ligou para o João, o namorado, e disse "amor, amor, tem um homem na minha porta, o que eu faço?" "Querida, abre e descobre, lembra do meu taco de beisebol na sua prateleira". Ok. "Pelo menos para isso ele servia." Caminhou sem fazer barulho até seu quarto, arrastou uma cadeira, também em silêncio, e foi até a porta. Abriu.

No mesmo instante começou a chorar. Colocou as mãos atrás do pescoço de sua inesperada visita e deu-lhe um beijo na testa. Quantos anos sem aquele rosto, carinho e cheiro tão familiar. Foi como se nunca houvessem se separado, o amava do mesmo jeito. Ele diz "Voltei para cuidar de ti, senti muitas saudades." Contaria que está namorando? Que havia trocado de faculdade? E o tempo de distância entre eles? "Esquece, logo teremos as mesmas conversas, afinal, ninguém é tão eu quanto ele." Conseguiu recuperar o fôlego e convidou-o à casa. Retirou rapidamente os cobertores do sofá e, sem convite, ele sentou. "Vou fazer um chimarrão para nós, como sempre fizemos, desde quando eu era uma criança, senti tanto a sua falta, meu pai."

sábado, 13 de junho de 2009

Budapeste

As luzes diminuem, dando aquele sutil aviso “sentem-se, vai começar”. Os corredores abarrotados começam a fluir, com pessoas voltando aos seus devidos lugares ou, desistindo de procurar um assento decente, sentando no primeiro lugar possível. Enfim o breu domina a sala. “Sentem-se, vai começar”. Tudo muito bom, conseguimos uma cadeira boa - no meio do teatro e fileira - estava tudo ótimo, até um bagual cabeçudo sentar em minha frente. Avisei a senhora ao meu lado, famosa por seu notável humor matutino e grosseria dos pampas, que teria de ver o filme torto para o seu lado a fim desviar da cabeça à frente, ação reconhecida com um agradável “Eu mereço”.

Começa finalmente o filme. Não vou comentar quanto a qualidade do longa, já que nem ao menos li o romance. A nobre senhorita ao meu lado – uma baixinha, não a de São Luiz Gonzaga – começa a fungar amavelmente. Nada contra isso, faço várias vezes, sou adepto dos fungos, ainda mais quando ataca a renite. Ô doençazinha dos infernos, sempre atacando nas piores horas, como provas, filmes e almoço. Mas chega desse papo nasal, ou começarei a divagar – um assunto por vez, certo? Os fungos, antes amáveis, começaram a incomodar um pouco, e, somados a grandiosa idéia de colocar as legendas do filme no limiar inferior da tela e à notória cabeça, começaram a me dar nos nervos.

Quando fico nesse estado inquieto, começo a bater o pé, hábito muito apreciado nas salas de aula e teatros. Com o capricho de uma deusa grega, a Dama das Pradarias Rio Grandenses disse um singelo “Porra bicho, para com isso, coisa chata”, acabando com meu barato galopante. Estranhamente a fileira continuava a tremer mesmo com o cessar de meus coices, e sentia o olhar gaúcho me fuzilando por algo que não fiz.

Mas, ainda assim, contrabalanceei a situação e, para encurtar o relato, vi o filme até o fim. E, com essa pequena história, fiz você, venerável leitor, perder alguns minutos de existência filosoficamente útil. Espere a Carol postar algo para melhorar o intelecto deste blog.

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Into the Wild.



Estou pela 28498696498646 vez escutando a trilha sonoro do filme "Na natureza selvagem - Into the wild". A trilha é do Eddie Vedder; o filme foi dirigido pelo ex da Madonna, o simpático Sean Penn; só mais um detalhe lindo: o protagonista é o Emile Hirsch. "querido, bicho!" Uma notinha de rodapé pra alegrar o dia dos namorados, pegar uma trouxa de roupas e, finalmente, ir para a puta que nos pariu!