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sábado, 25 de setembro de 2010

Folhetim

bianca-duplo-um-certo-fascinio-os-mandamentos-do-amor_1

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- Porra, de novo com esses livros?! Já falei, vai ler alguma coisa decente! – Gritei indignado ao entrar no quarto.

- Não gosto que você fale isso dos meus livros. – Disse ela enquanto fechava o “Bianca” em seu colo e baixava seus óculos finos, me olhando por cima, com uma cara docemente irritada.

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Dica

Dica aos melancólicos de plantão:

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A edição de setembro da revista Mente e Cérebro traz três ótimas matérias sobre um mal que assombra muita gente e é muito mal interpretado: a depressão; além de outras matérias interessantes, todas relacionadas à psicologia e ao cérebro.

Ao contrário de revistas como a Superinteressante, a M&C é escrita pelos próprios pesquisadores em forma de divulgação científica (me desculpem jornalistas).

Só para dar mais credibilidade, a Mente e Cérebro é editada pelo mesmo grupo que produz a Scientific American.

Custa R$11,90. Dez centavos menos que aquela Piauí que vocês cults adoram.

A dica foi dada.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Echar de menos

buenos aires (396)

A Avenida de Mayo parecia um pouco diferente naquela noite. Mais colorida, clara, movimentada. O vento frio embalava a fumaça do meu último cigarro por entre os carros. Quando o táxi chegou, arremessei o cigarro com os dedos, tirei meu chapéu e sentei no banco de trás, abandonando minhas malas ao meu lado.

- Donde?

- Ezeiza.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Plantão

Tive de trabalhar durante um tarde fria e chuvosa. Ficar de plantão ao telefone, quebrar um galho a beneficio de todos. Coisa pouca e simples. Pelo menos em tese. Quando cheguei ao trabalho, resoluto em minha função, descobri-me completamente sozinho, acompanhado apenas de um computador temperamental e uma biblioteca cheia de livros vazios e algumas pérolas. Andei por entre seus ínfimos corredores, como um rato procurando pelo queijo. Kafka, já lera; Veríssimo também, Sidney Sheldon, não mais; e encontrei-me com Woody Allen. Mergulhei em seus contos filosóficos e satíricos, devorando-o simplesmente. As páginas encontraram seu fim e, logo, voltei ao começo.

domingo, 8 de agosto de 2010

A Máquina

Hoje uma nostalgia me acertou. Eu sempre passo por um corredor no trabalho onde escuto um som que não ouvia faz anos. O tec-tec alto, voraz, impiedoso de uma grande máquina de escrever. Olhando a sala da máquina, você se sentia admirando o passado; o funcionário, sentado, com a camisa de botões aberta até pouco mais da metade, com os pelos grisalhos do peito se projetando para fora, numa visão grotesca e suada; acompanhando o aspecto alheio, um cigarro jazia no canto da boca, implorando sutilmente para que suas cinzas fossem batidas. Quase inaudível, em meio ao frenesi escritor, um rádio anunciava as últimas notícias da cidade, já o barulho do velho ventilador de ferro pendurado no teto nem se escutava. Tirando uma foto sépia da cena, qualquer admirador desatento afirmaria: isso não acontece hoje em dia.